Entidades entregam propostas para modernizar o Pronaf
14-05-2026

Cartas defendem crédito rural alinhado ao clima e inclusão

Mais de 15 organizações da sociedade civil entregaram a ministérios do governo federal duas cartas técnicas com propostas para aprimorar o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) no ciclo do Plano Safra 2026/27. As sugestões defendem mudanças voltadas à ampliação do acesso ao crédito rural, à recuperação de pastagens degradadas e ao fortalecimento da sociobioeconomia.

Os documentos foram encaminhados no fim de março ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e Ministério da Fazenda (MF). As entidades afirmam que o objetivo é aumentar a efetividade do Pronaf, melhorar a alocação de recursos públicos e alinhar o crédito rural às agendas de clima, desenvolvimento sustentável e inclusão produtiva.

Uma das cartas reúne recomendações da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, coordenada pela Agroicone, com foco na recuperação de pastagens degradadas e conversão dessas áreas em sistemas produtivos sustentáveis e resilientes às mudanças climáticas. Já o segundo documento apoia propostas elaboradas pelo Observatório das Economias da Sociobiodiversidade (ÓSocioBio), coordenado pela Conexsus, para ampliar o acesso ao crédito por agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais e pescadores artesanais.

As organizações defendem que o Pronaf, criado há mais de 30 anos, precisa evoluir para atender novas demandas relacionadas à sustentabilidade, adaptação climática e inclusão econômica no meio rural.

Segundo Leila Harfuch, sócia-gerente da Agroicone, a proposta é transformar áreas degradadas em sistemas produtivos capazes de elevar produtividade, renda e resiliência da agricultura familiar diante das mudanças climáticas. “O Pronaf pode atuar como principal instrumento de inclusão da agropecuária familiar na jornada de sustentabilidade”, afirmou.

Fernando Moretti, diretor de políticas da sociobioeconomia da Conexsus, destacou que a sociobioeconomia já demonstra potencial de geração de renda aliado à conservação ambiental, mas enfrenta dificuldades de acesso ao crédito rural. Laura Souza, secretária executiva do ÓSocioBio, ressaltou que povos e comunidades tradicionais ainda encontram barreiras para acessar financiamento adequado.

As entidades também lançaram uma campanha nacional de rádio e redes sociais para ampliar o debate sobre a modernização do Pronaf e chamar a atenção dos formuladores do Plano Safra 2026/27. A iniciativa apresenta histórias de agricultores familiares beneficiados pelo programa e está sendo veiculada em sete estados: Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás e Pará.