Etanol de arroz é alternativa para equilíbrio de estoques
26-02-2026

Lavoura de arroz no RS  • Embrapa
Lavoura de arroz no RS • Embrapa

Estímulo a biocombustível a base do cereal é discutido para aliviar produção e rentabilidade do produtor

Por Kaique Cangirana, da CNN Brasil, Capão do Leão (RS

A pesquisa para a produção de etanol à base de arroz é discutida por arrozeiros e pesquisadores da cultura orizícola durante a Abertura de Colheita do cereal, em Capão do Leão (RS). A alternativa de longo prazo é estudada como estratégia para conter prejuízos com o excedente de estoques do cereal, como o cenário enfrentado por produtores na safra 2025/26. 

Leonardo Dutra, pesquisador e chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, destaca que demandas da cadeia produtiva exigem inovações da pesquisa. ”Nossas cultivares ocupam grande parte do plantio de arroz, por isso, a pesquisa atende a demandas do setor, como no caso do etanol de arroz, uso que pode trazer alternativas, além do consumo, para o escoamento da produção”, afirmou à CNN Brasil. 

“A pesquisa é a questão basilar do processo, com expertise e materiais genéticos podemos chegar no mesmo potencial para o etanol com arroz, como já é realidade para outras culturas como cana-de-açúcar e milho. Essa é uma questão polêmica, mas em um cenário de muita oferta, precisamos de alternativas de uso dessa produção”, concluiu. 

Prejuízos do setor 

Apesar de polêmico, o tópico é tratado como um direcionamento contra a crise de preços ao produtor, que enfrenta dificuldades para a negociação do arroz beneficiado e busca a diversificação para evitar prejuízos na safra. 

Segundo entidades ligadas à cadeia, o custo atual pago ao produtor está abaixo do custo de produção, o que gera demandas para a pesquisa e novas perspectivas para o arroz. Para pesquisadores, o trabalho indica a identificação de cultivares viáveis ou o desenvolvimento de novas variedades direcionadas ao etanol.  

Domingos Velho Lopes, presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) destaca a busca do setor por novas alternativas frente à competitividade global. “No mercado internacional, ofertas atraentes tomam espaço no mercado e trazem valores quase 50% menores do que o esperado para o preço da saca de arroz. Fizemos ajustes para uma safra mais equilibrada, mas buscamos avanços em diversas frentes”, disse à CNN Brasil. 

Entraves

Mesmo com perspectivas positivas e intenções no avanço da pesquisa, o arroz encontra limitações para a viabilidade como biocombustível devido a sua composição expressamente energética.   

Cássio Kirchner, diretor de vendas da Basf na região Sul, acredita que o arroz para etanol é pouco viável devido a composição energética da cultura. “Acredito que seja um pouco mais difícil para o arroz, porque ele produz apenas energia por meio do carboidrato, enquanto o milho, por exemplo, produz energia e proteína, o que associa sua produção ao álcool”, disse à CNN Brasil. 

Cenário de amplo estoque

Responsável pela maior produção de arroz no Brasil, o Rio Grande do Sul encolheu a área plantada nesta safra para impedir ampla oferta com custos elevados. Segundo o Irga  (Instituto Rio Grandense do Arroz), a redução da área nesta temporada chega a 8,06% e atinge 891,9 mil hectares.

Para o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia AplicadaCepea),  a produtividade é estimada em 7,98 toneladas por hectare, 5,8% abaixo da média da temporada passada. Caso se confirme, a produção chega a 10,2 milhões de toneladas, queda de 12% em relação à safra anterior. 

Segundo levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para a safra do arroz em 2025/26, a produção brasileira do cereal deve ser de aproximadamente 11 milhões de toneladas. A estimativa indica uma queda de 14% em relação à safra anterior, com redução de 11% na área semeada.

*O repórter viajou a convite da Basf

Fonte: CNN