Etanol estreia na geração térmica em Pernambuco
29-05-2026
Biocombustível ganha espaço fora dos tanques e chega às usinas térmicas
Nayara Machado
A Suape Energia anunciou, nesta quinta (28), a conclusão da implantação do primeiro motor a etanol dedicado à geração térmica na UTE Suape II, em Recife (PE).
Desenvolvido em parceria com a Wärtsilä Energy, o Projeto Etanol quer provar a viabilidade do uso do biocombustível na geração elétrica e sua competitividade em relação a fontes tradicionais.
Os primeiros resultados indicam eficiência térmica entre 43% e 44%, ligeiramente abaixo de motores a diesel ou óleo combustível, mas com compensação no custo do combustível e nos ganhos ambientais.
Além do etanol, a tecnologia permite operar com biodiesel.
“Não temos dúvida de que o motor a etanol já é uma realidade. Nosso objetivo agora é realizar os testes, validar a geração de energia com ele, demonstrar sua viabilidade econômico-financeira e trabalhar pela sua consolidação como uma solução estratégica”, afirmou o diretor técnico da Suape Energia, José Faustino Cândido, durante cerimônia nesta quinta.
A iniciativa agora avança para fase operacional e de validação tecnológica da solução em ambiente real, com previsão de até 4 mil horas de testes durante dois anos.
Com investimento de R$ 60 milhões e capacidade instalada de 4 MW nesta fase inicial, a expectativa é que, após os testes no segundo semestre do ano, o modelo possa ser escalado para uma planta de até 200 MW.
A iniciativa nasceu de uma adaptação tecnológica em conjunto com a Wärtsilä, originalmente voltada a combustíveis como metanol e amônia. A proposta de utilizar etanol partiu dos próprios acionistas brasileiros.
No radar estava o leilão de reserva de capacidade (LRCAP) antes previsto para 2025, mas que só ocorreu em 2026 e uma mudança no edital frustrou as expectativas.
Em entrevista à eixos em abril deste ano, Faustino avaliou, no entanto, a exclusão do etanol do certame como circunstancial e disse que a companhia optou por seguir com o investimento mesmo sem sinal regulatório imediato.
No LRCAP 2026, o grupo saiu vencedor na rodada de contratação de térmicas novas e existentes para 2029, com uma usina a gás de 119,2 MW.
De olho nos data centers
A crescente demanda por energia renovável vem acompanhada também da necessidade de soluções que garantam disponibilidade a qualquer hora do dia, independente das condições de sol e vento.
Um cenário que favorece as térmicas a biocombustíveis, que começam a dar os primeiros passos no Brasil.
A estratégia da Suape Energia também mira o crescimento da demanda por energia firme e limpa, especialmente com a expansão de data centers no país.
O governo federal tenta aprovar no Congresso Nacional o Redata, regime que condiciona incentivos fiscais ao uso de energia “renovável” e “limpa”, conceitos que ainda enfrentam debates sobre qual será sua definição e quais fontes serão elegíveis.
Um combustível renovável, o etanol pode aproveitar essa janela, oferecendo backup energético renovável para operações dos centros de dados que exigem fornecimento contínuo.
Fonte: Agência Eixos

