Etanol lidera consumo no transporte e reforça matriz renovável de São Paulo
05-01-2026
Biocombustível supera gasolina no uso rodoviário e sustenta participação de 59% de fontes limpas na oferta de energia do estado em 2024
Por Andréia Vital
A nova edição do Balanço Energético do Estado de São Paulo confirma o protagonismo paulista na transição para uma matriz mais limpa e diversificada. O estudo, elaborado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística e divulgado pelo Governo de São Paulo, mostra que 59% da oferta interna bruta de energia do estado em 2024 teve origem renovável, proporção superior à média nacional de 50% apurada no Balanço Energético Nacional e muito acima do padrão observado em países da OCDE, onde a participação ficou em 13,2%.
A oferta interna bruta representa toda a energia disponível para consumo final ou transformação e evidencia o peso estrutural das fontes renováveis na economia paulista. Em 2024, os produtos do setor sucroenergético responderam por cerca de um terço desse total, reforçando o papel da cana-de-açúcar como base da matriz estadual.
Os dados do balanço mostram que o etanol manteve posição central no transporte rodoviário. Considerando o etanol anidro misturado à gasolina e o etanol hidratado comercializado diretamente nos postos, o biocombustível atendeu a 28,5% do consumo energético do segmento em 2024. A gasolina respondeu por 22,4%, ficando atrás do etanol em participação no atendimento da demanda.
O levantamento também aponta que São Paulo permaneceu como exportador líquido de etanol no período, produzindo mais do que consumiu internamente. A liderança nacional é confirmada por estatísticas da ANP, segundo as quais o estado respondeu por 13,8 bilhões de litros dos 37 bilhões de litros produzidos no país em 2024, o equivalente a 37% do total nacional.
Além da cana e de seus derivados, a oferta interna de energia em São Paulo contou com participação relevante da eletricidade de origem hidráulica e de fontes associadas à importação do Sistema Interligado Nacional, que somaram 17% do total. O balanço destaca ainda a presença crescente de alternativas como biogás, energia solar, licor negro da indústria de papel e celulose e uso energético da lenha.
No segmento elétrico, a energia solar fotovoltaica manteve trajetória de expansão. Em 2024, a fonte respondeu por 12% da geração de eletricidade no estado, com produção de 10,4 TWh, alta de 16% frente aos 8,9 TWh registrados em 2023. Com esse desempenho, a solar consolidou-se como a terceira principal fonte de geração paulista, atrás apenas da hidráulica e da biomassa.
São Paulo também seguiu na liderança nacional da geração distribuída fotovoltaica. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica indicam que a capacidade instalada nesse modelo alcançou 6,2 GW em dezembro de 2025, após a adição de cerca de 1 GW ao longo do ano, movimento impulsionado principalmente por consumidores residenciais, comerciais e industriais.
A geração hidráulica, por sua vez, apresentou recuo de 15% em 2024 na comparação anual, após forte alta registrada em 2023. Ainda assim, o balanço ressalta que a fonte segue desempenhando papel central para a segurança do suprimento e para a elevada participação de renováveis na matriz energética estadual.
O Balanço Energético do Estado de São Paulo é elaborado anualmente pela subsecretaria de Energia e Mineração da Semil e reúne informações sobre produção, transformação e consumo de energia. A série histórica consolidada pelo estudo é utilizada como base para o planejamento e o acompanhamento de políticas públicas voltadas ao setor energético paulista.
Confira aqui o Balanço Energético do Estado de São Paulo (BEESP) 2025, ano-base 2024.

