Etanol tende a manter maior atratividade para usinas em 2026
05-01-2026

Relatórios semanais da Safras & Mercado indicam avanço dos biocombustíveis e menor interesse pelo açúcar

Por Andréia Vital

A moagem de cana-de-açúcar no Brasil na safra 2026/27 deve alcançar 660,2 milhões de toneladas, crescimento de 0,95% em relação ao ciclo anterior, segundo estimativas da Safras & Mercado. De acordo com os boletins semanais da consultoria, o Centro-Sul deve responder por 600 milhões de toneladas, ante 595 milhões em 2025/26, enquanto a região Norte-Nordeste tende a atingir 60,2 milhões de toneladas, frente a 59 milhões.

Segundo o relatório da Safras & Mercado, apesar do leve avanço da moagem, a produção de açúcar tende a recuar. A estimativa é de 41,8 milhões de toneladas em 2026/27, queda de 3,91% em relação às 43,5 milhões de toneladas do ciclo anterior. Conforme o relatório, as exportações brasileiras devem cair para 30 milhões de toneladas, retração de 11% frente às 33,8 milhões embarcadas em 2025/26.

Já a produção de etanol deve ganhar espaço no mix industrial. De acordo com os relatórios semanais da consultoria, o etanol hidratado de cana deve crescer 4,1% em 2026/27, alcançando 20,3 bilhões de litros. A produção de etanol de milho também deve avançar, passando de 3,85 bilhões para 4 bilhões de litros.

Segundo o analista de açúcar e etanol da Safras & Mercado, Maurício Muruci, a pequena variação esperada na moagem do Centro-Sul reflete o regime de chuvas mais fracas observado ao longo da entressafra. Por outro lado, segundo o relatório, há expectativa de forte incremento na produção de etanol anidro e hidratado, tanto de cana quanto de milho, impulsionado pela maior demanda prevista para 2026, com a elevação da mistura para E30 e a manutenção de uma arbitragem favorável do hidratado frente ao açúcar bruto em Nova York. Esse cenário tende a levar as usinas a ampliar a oferta de etanol.

De acordo com Muruci, ainda segundo os boletins semanais da consultoria, o açúcar deve seguir menos atrativo em 2026, diante de preços internacionais mais baixos, influenciados pela ampliação da oferta em países como China, Índia e Tailândia, além da manutenção de um superávit global estimado em cerca de 11 milhões de toneladas.

Safra brasileira reagiu em 2025, mas excesso de oferta pressionou preços do açúcar

A safra brasileira de cana-de-açúcar apresentou recuperação parcial em 2025, após os impactos climáticos registrados em 2024. Avaliações de mercado indicam que, apesar de um início marcado por seca e incêndios, houve melhora das produtividades nas principais regiões ao longo do ciclo, o que reduziu as perdas inicialmente projetadas.

Dados da UNICA mostram que, na safra 2025/26, a moagem no Centro-Sul recuou 1,92%, somando 592,3 milhões de toneladas até o início de dezembro. A produção de açúcar avançou 1,13%, para 39,9 milhões de toneladas, enquanto a produção total de etanol caiu 5,43%, para 29,5 bilhões de litros. O mix açucareiro subiu para 51,12%, enquanto a participação do etanol recuou para 48,88%.

No mercado internacional, o excesso de oferta voltou a pressionar as cotações do açúcar em 2025. Segundo estimativas do USDA, os excedentes globais superaram 5 milhões de toneladas na safra 2024/25. Em Nova York, na ICE Futures US, os contratos futuros do açúcar bruto encerraram 2025 próximos de 15 centavos de dólar por libra-peso, queda de cerca de 15% em relação ao fim de 2024.