EUA reduzem sobretaxas e aliviam US$ 14,9 bi do Brasil
27-02-2026
Mudança tarifária amplia parcela sem adicional e exige negociação
Por Andréia Vital
A nova sobretaxa global adotada pelos Estados Unidos reduziu tarifas incidentes sobre US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras, segundo o Observatório da Política Comercial dos EUA, divulgado pela Amcham Brasil. A medida substitui sobretaxas anteriores aplicadas com base na legislação de emergência econômica e redefine a distribuição das alíquotas sobre a pauta exportadora.
Desde 24 de fevereiro, o governo americano passou a aplicar sobretaxa global de 10% sobre as importações, com possibilidade de elevação para 15%. O instrumento jurídico utilizado é a Seção 122 do Trade Act de 1974, voltada ao enfrentamento de desequilíbrios no balanço de pagamentos, com vigência limitada a até 150 dias.
Para o Brasil, o impacto é imediato. Produtos que representaram 34,9% das vendas brasileiras aos EUA tiveram sobretaxas reduzidas de 40% ou 50% para 10%, ou eliminadas em alguns casos, como aeronaves. Com isso, a parcela das exportações sem sobretaxa adicional subiu de 37,5% para 45,6%, o equivalente a US$ 3,5 bilhões a mais livres de tarifa extra.
A fatia de embarques sujeita à sobretaxa de 10% passou de 13,2% para 40% do total exportado aos EUA. Já os produtos atingidos pela Seção 232, relacionada a segurança nacional, permanecem estáveis em 14,4% da pauta brasileira.
Entre os itens com redução relevante de alíquotas estão máquinas e equipamentos, açúcar, madeira processada, transformadores elétricos, tratores agrícolas, tabaco, granito, café solúvel, álcool etílico industrial e derivados proteicos. Aeronaves, nióbio, metais industriais, turbinas, geradores e partes de aeronaves ficaram totalmente excetuados, somando US$ 1,07 bilhão exportados em 2024.
Por outro lado, passaram a recolher sobretaxa de 10% produtos como ferro gusa, com US$ 1,5 bilhão exportados, pedras de construção, minério de ferro, pasta química de madeira e óleos essenciais de laranja.
No âmbito da Seção 232, seguem submetidos a tarifas elevadas semiacabados de aço, aço ligado, caminhões basculantes, autopeças, pneus, chapas metálicas e tubos destinados à indústria de petróleo e gás.
Apesar do alívio no curto prazo, a Amcham avalia que o ambiente tarifário americano segue sujeito a mudanças. Após decisão da Suprema Corte, o governo dos EUA reiterou a continuidade de sua política comercial, com possibilidade de novas investigações com base nas Seções 232 e 301, além da conclusão do processo já em curso envolvendo o Brasil.
“A redução das sobretaxas traz impacto imediato ao melhorar as condições de competitividade das exportações brasileiras. No entanto, o avanço das negociações entre os governos do Brasil e dos EUA continua sendo fundamental para evitar novas restrições comerciais e explorar oportunidades para ampliar o comércio e os investimentos bilaterais”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
A entidade avalia que um eventual encontro entre os presidentes dos dois países pode abrir espaço para consolidar o alívio tarifário e reduzir incertezas no comércio bilateral.

