Exportações da agropecuária crescem 2,1% e alcançam US$ 3,87 bilhões em janeiro
06-02-2026

Vendas para a China tiveram alta, mas fecharam em queda para os Estados Unidos; embarques de soja foram 75% maiores

A receita gerada pelos embarques do setor agropecuário somaram US$ 3,87 bilhões no mês de janeiro, um acréscimo de 2,1% na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados da balança comercial foram divulgados nesta quinta-feira, 5, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). 

O setor também registrou aumento no volume exportado. Foram mais de 7,4 milhões de toneladas encaminhadas ao exterior, um incremento de 17,5% frente a janeiro de 2025. 

Café, milho e soja foram os itens de maior impacto nestes resultados do setor. Mas outros produtos, como animais vivos e arroz, tiveram crescimento significativo nesse último mês.

Veja os principais destaques:

  • Café não torrado: US$ 1,012 bilhão (-23,7%) e 141,2 mil toneladas (-42,4%);
  • Milho: US$ 938,3 milhões (+18,8%) e 4,2 milhões de toneladas (+18,2%);
  • Soja: US$ 830,9 milhões (+91,7%) e 1,8 milhão de toneladas (+75,5%);
  • Algodão: US$ 489 milhões (-31,2) e 316,8 mil toneladas (-23,8%);
  • Animais vivos, exceto pescados e crustáceos: US$ 220,8 milhões (+140,7%) e 10,5 mil toneladas (+125,7%);
  • Frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas: US$ 92,1 milhões (-1,5%) e 91,4 mil toneladas (-14,3%);
  • Trigo e centeio: US$ 83,1 milhões (-33,6%) e 370,5 mil toneladas (-32,8%);
  • Sementes oleaginosas de girassol, gergelim, canola, algodão e outras: US$ 56,8 milhões (-16,1%) e 77,3 mil toneladas (-5,9%);
  • Especiarias: US$ 40,9 milhões (+14,9%) e 6,9 mil toneladas (+6,9%);
  • Produtos hortícolas, frescos ou refrigerados: US$ 28,9 milhões (-25,4%) e 43,5 mil toneladas (-4,8%);
  • Arroz: US$ 24,9 milhões (+91,8%) e 95,9 mil toneladas (+185,4%).

Na avaliação do diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, o plantio e a colheita mais tardios na safra passada e a boa produção no ano passado ajudam a explicar a alta nos embarques de soja. “Muito provavelmente esse grande volume agora de janeiro ainda é resquício do escoamento da safra recorde do ano passado”. 

Exportações de carne bovina seguem em bom ritmo

A metodologia de apresentação dos dados do MDIC não computa no setor agropecuários itens que passam por algum processamento ou beneficiamento. É o caso das carnes, açúcar e farelos, que entram no setor de indústria de transformação. 

Dentro desse setor, os produtos da agroindústria com maior destaque foram:

  • Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada: US$ 1,2 bilhão (+42,5%) e 231,8 mil toneladas (+28,6%);
  • Celulose: US$ 957,1 milhões (-6,1%) e 1,9 milhão de toneladas (-7,7%);
  • Carne de aves e miudezas: US$ 795,2 milhões (+5,6%) e 430,3 mil toneladas (+3,7%);
  • Açúcares e melaços: US$ 728,2 milhões (-27,2%) e  2 milhões de toneladas (-2,1%);
  • Farelos de soja e outros alimentos para animais: US$ 727,6 milhões (+13,1%) e 1,9 milhão de toneladas (+14,3%);
  • Carne suína fresca, refrigerada ou congelada: US$ 252,6 milhões (+17,2%) e 100,4 mil toneladas (+14,2%);
  • Sucos de frutas ou de vegetais: US$ 251,8 milhões (-36,2%) e 182,9 mil toneladas (-13,6%).

Brasil tem recuo nas exportações gerais

No acumulado de todos os setores, o Brasil exportou US$ 25,2 bilhões em janeiro. Em comparação ao mesmo mês em 2025, o resultado é 1% menor. Os volumes embarcados ficaram no mesmo patamar observado nesse período do ano passado.  

Ainda sobre o total exportado pelo País, a China representou US$ 6,4 bilhões desse faturamento. Houve um incremento de 17,4% na receita gerada pelos embarques para o país asiático e um aumento de 21,8% no volume. O Oriente Médio também teve destaque positivo, com um crescimento de 31,6% no faturamento (US$ 1,7 bilhão) e de 25,4% na quantidade enviada. 

Por outro lado, União Europeia e Estados Unidos tiveram queda. Para o bloco europeu, o montante comercializado de produtos brasileiros somou US$ 3,9 bilhões. Um recuo de 6,2% na receita e de 16,2% no volume. Para os norte-americanos, o valor dos bens embarcados somou US$ 2,4 bilhões. Isso representa 25,5% a menos do que em relação a janeiro de 2025. O volume para lá também teve queda, de 17,5%.

Importações de fertilizantes caem em volume, mas sobem no preço 

As compras brasileiras de adubos e fertilizantes, exceto fertilizantes brutos, tiveram uma queda no volume. Foram 3,7% a menos que no mesmo mês do ano passado, chegando a 2,8 milhões de toneladas. 

O valor pago por esse montante, porém, subiu 0,9%, somando US$ 934,9 milhões. Os dados também mostram um crescimento de 4,8% no preço por tonelada. Em janeiro de 2025, foram registrados US$ 310 por tonelada. No último mês, o preço médio foi de US$ 324,8 por tonelada. 

Fonte: Estadão