Fábricas de fertilizantes do Nordeste voltam a operar em meio a riscos no suprimento internacional
14-01-2026
Irã, Venezuela e Rússia são supridores de ureia para o Brasil
Por Gabriela Ruddy
A Petrobras retomou a produção de fertilizantes no Nordeste, depois de mais de dois anos de interrupção. O retorno das operações em Sergipe e na Bahia era esperado para o fim de 2025 e acabou coincidindo com um momento de risco no suprimento internacional desses produtos.
Três grandes fornecedores de ureia para o Brasil vivem situações políticas tensas: Irã, Rússia e Venezuela. Ao todo, foram mais de 1,87 bilhão de toneladas de ureia importadas desses países em 2025.
Juntos, os três países responderam por 24% das importações de ureia brasileiras no ano passado, segundo dados da balança comercial divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O aumento na produção nacional reduz a fragilidade brasileira, num contexto de crescentes tensões geopolíticas.
O Irã vive uma onda de protestos contra o atual governo, que já deixaram mais de 2 mil mortos (CNN)
Os Estados Unidos, inclusive, anunciaram uma tarifa adicional de 25% a produtos de países que seguirem fazendo negócios com o Irã em meio aos protestos. (G1)
A Venezuela foi invadida pelos Estados Unidos no começo de janeiro e o presidente Donald Trump vem indicando que a produção do país passará a ser controlada por empresas estadunidenses, mas ainda não há clareza sobre os próximos passos.
A Rússia segue em guerra desde 2022, após a invasão à Ucrânia.
A Petrobras estima que pode suprir metade da demanda brasileira de ureia e até 9% do consumo nacional total de fertilizantes.
O tema é sensível para o agronegócio, que importa a maior parte dos fertilizantes nitrogenados que consome.
Os riscos já estavam no radar do mercado, sobretudo com as questões geopolíticas envolvendo a Rússia e o Irã nos últimos anos.
Além da garantia do suprimento, também há uma expectativa de que o retorno da Petrobras aos fertilizantes garanta disponibilidade do produto no mercado nacional a preços competitivos e, assim, ajude a reduzir fraudes, no caso do Arla 32.
Ainda assim, a produção doméstica ajuda, mas não assegura proteção total contra repiques nos preços internacionais, que podem ser repassados pela Petrobras.
A produção nas fábricas de fertilizantes na Bahia e em Sergipe ocorre depois de um longo processo de devolução das plantas, que foram arrendadas à Unigel em 2019.
Segundo a estatal, a fábrica sergipana começou a produzir amônia em dezembro e, na semana passada, passou a fabricar também a ureia.
Já a unidade baiana está em fase de comissionamento de partida, com expectativa de início da produção de ureia até o fim de janeiro.
O retorno da estatal ao mercado de fertilizantes foi uma das promessas de campanha do presidente Lula (PT), depois que a empresa deixou esse mercado para focar na exploração e produção de petróleo e gás, durante os governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).
A retomada inclui ainda a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), no Mato Grosso do Sul, e a Araucária Nitrogenados (Ansa), no Paraná.
Fonte: Agência Eixos

