FPT anuncia R$ 250 mi no Brasil com foco em motores a etanol
07-05-2026
Empresa aposta em biocombustível e biometano para descarbonizar
Andréia Vital
A FPT Industrial anunciou investimento de R$ 250 milhões no Brasil até 2028, com foco no desenvolvimento de motores a etanol e na ampliação de soluções baseadas em biometano e gás natural. A estratégia foi detalhada por Bernardo Brandão, presidente da empresa para a América Latina, durante coletiva de imprensa na Agrishow, realizada de segunda-feira (27) a quinta-feira (1º), em Ribeirão Preto – SP.
Segundo o executivo, a escala de produção de cana-de-açúcar e a disponibilidade de biomassa no país sustentam o avanço do etanol como alternativa energética no campo. A empresa aposta em motores desenvolvidos especificamente para esse combustível, e não adaptados, com tecnologia ciclo Otto.
Os motores a etanol estão em fase de testes em máquinas agrícolas, em parceria com fabricantes como a Case IH. A expectativa é de avanço para a fase comercial a partir de 2027, conforme a validação operacional dos equipamentos. A proposta é manter desempenho equivalente ao diesel, com redução de emissões e alinhamento às demandas de descarbonização do setor sucroenergético.
Enquanto o etanol avança no desenvolvimento, o biometano apresenta adoção mais imediata. Motores a gás natural e biometano já são utilizados em aplicações comerciais e começam a chegar ao setor agrícola.
Tratores equipados com essa tecnologia foram comercializados em dezenas de unidades no último ano. Modelos como o N67 NG e o Cursor 13 NG alcançam até 460 hp e podem reduzir emissões em até 95% em relação ao diesel, além de operar com níveis próximos de emissão zero quando abastecidos com biometano.
O plano de R$ 250 milhões contempla novos produtos, melhorias fabris e ampliação da nacionalização da produção, com foco na unidade de Sete Lagoas - MG. A estratégia busca reduzir a dependência de importações e fortalecer a cadeia local.
Mesmo com a retração nas vendas de máquinas agrícolas, a empresa mantém expectativa de estabilidade em 2026, apoiada na diversificação de atuação e no avanço das tecnologias de propulsão alternativa no agronegócio.
Confira:

