Grunner lança máquina inteligente a biometano e projeta economia de até R$ 3,4 milhões por safra
28-09-2026

Equipamento apresentado no Grunner Day 2026 utiliza motor MWM, armazenamento de 450 m³ de biometano e autonomia de aproximadamente 45 horas; solução amplia alternativas ao diesel e pode reduzir custos das operações agrícolas

A Grunner deu mais um passo na busca por alternativas ao diesel nas operações agrícolas. Durante o Grunner Day 2026, realizado nos dias 23 e 24 de setembro, em Lençóis Paulista (SP), a fabricante apresentou comercialmente sua nova máquina inteligente movida a biometano, desenvolvida em parceria com a MWM – Tupy. O lançamento integra uma estratégia de diversificação energética que também inclui uma versão movida a etanol e representa parte de um investimento de R$ 19,5 milhões, sendo R$ 4 milhões destinados ao desenvolvimento de uma nova plataforma e R$ 15,5 milhões às novas matrizes energéticas.

As novas motorizações podem equipar todo o portfólio da Grunner, incluindo a Linha ATR, destinada ao transbordo de cana; a Linha ASP, para aplicação de vinhaça; e a Linha ADS, voltada à distribuição de sólidos. A proposta é especialmente direcionada às usinas que já produzem etanol e/ou biometano e podem utilizar esses combustíveis na própria operação agrícola, reduzindo a exposição às oscilações do diesel e ampliando o aproveitamento de fontes renováveis geradas dentro das próprias unidades.

Sistema de armazenamento desenvolvido para a operação no campo

Uma das principais diferenças da máquina a biometano está no sistema de armazenamento do combustível. Em vez do tanque convencional de diesel, o equipamento utiliza dois skids: um central, instalado na traseira da máquina, com capacidade de 450 metros cúbicos (m³), e outro lateral, com capacidade de 67 m³, que funciona como um reservatório de segurança, chamado pela Grunner de “pulmão”. O sistema foi desenvolvido para permitir a substituição do skid principal diretamente no campo, mantendo a máquina em operação durante o processo.

Segundo o gerente nacional de Vendas e Marketing da Grunner, André Torquetti, os testes realizados pela empresa apontaram para uma autonomia aproximada de 45 horas e um consumo médio de aproximadamente 10 m³ de biometano por hora trabalhada.


Skid central conta com capacidade de 450 metros cúbicos (m³), permitindo uma autonomia aproximada de 45 horas (Foto: Leonardo Ruiz)

O conjunto motriz foi desenvolvido em parceria com a MWM – Tupy, que adaptou sua tecnologia de motores a gás às características específicas da máquina Grunner. O propulsor a biometano tem 7,7 litros, potência de até 300 cv e torque de até 1.200 Nm, com desempenho próximo ao da versão a diesel. A integração envolveu ainda a adaptação do motor à transmissão e ao chassi utilizados pela Grunner, buscando preservar as características de desempenho e operação da máquina no campo.

Biometano reduz custo de combustível

Além da autonomia e da possibilidade de utilização de um combustível produzido pelas próprias usinas, a Grunner apresentou durante o evento uma simulação para demonstrar o potencial econômico da nova tecnologia. Nos testes realizados pela empresa, a relação encontrada em campo foi de aproximadamente 1,3 m³ de biometano para cada litro de diesel, enquanto os testes de dinamômetro apontaram uma relação de 1,46 m³ de biometano por litro de diesel. Para a projeção financeira, a Grunner adotou a relação de 1,46, considerada uma premissa mais conservadora.

Considerando um consumo médio de 6 litros de diesel por hora para a máquina Grunner e a relação de 1,46 m³ de biometano por litro, o equipamento a biometano consumiria aproximadamente 8,76 m³ por hora. Com o preço de venda do biometano considerado na simulação, de R$ 1,55 por m³, o custo do combustível chega a cerca de R$ 13,5 por hora de operação.

Para efeito de comparação, considerando o diesel a R$ 5,30 por litro e o desconto de 12% referente ao ICMS utilizado na conta apresentada pela empresa, o preço efetivo considerado foi de aproximadamente R$ 4,66 por litro. Assim, uma Grunner a diesel, consumindo 6 litros por hora, teria um custo de aproximadamente R$ 27,96 por hora somente com combustível.

Dessa forma, dentro das premissas utilizadas pela Grunner, a substituição do diesel pelo biometano representa uma redução de aproximadamente R$ 14,38 por hora no custo de combustível da própria máquina. A diferença é resultado exclusivamente dos preços e dos consumos adotados na simulação e pode variar de acordo com o valor pago pelo combustível e com o desempenho obtido em cada operação.

A segunda comparação apresentada pela Grunner considera não apenas a troca do combustível, mas a diferença entre os sistemas de operação. Para uma usina de 2 milhões de toneladas, a empresa estima uma necessidade de aproximadamente 25 Grunners, enquanto a alternativa convencional demandaria cerca de 30 conjuntos de trator e transporte. Como referência, foi considerado um consumo médio de 12,03 litros de diesel por hora para o conjunto de trator.

Com o diesel a R$ 4,66 por litro, esse consumo representa aproximadamente R$ 56,06 por hora em combustível. Já a Grunner movida a biometano, utilizando os 8,76 m³/h da simulação e o preço de R$ 1,55 por m³, apresenta um custo de aproximadamente R$ 13,58 por hora. A diferença entre os dois sistemas chega, portanto, a cerca de R$ 42,48 por hora por equipamento — valor próximo aos R$ 42,55 por hora apresentados pela Grunner em sua simulação.

Considerando 3.200 horas de operação por safra e 25 máquinas, essa diferença chega a aproximadamente R$ 3,4 milhões por safra em economia potencial de combustível. O cálculo considera exclusivamente o diferencial de custo de combustível entre os dois modelos de operação e utiliza as premissas apresentadas pela Grunner durante o evento. Portanto, o resultado efetivo pode variar conforme preço do biometano e do diesel, consumo real, disponibilidade do combustível, perfil operacional, número de máquinas e condições de trabalho.


André Torquetti: “Quem produz o próprio combustível pode avaliar, de acordo com o cenário operacional e econômico, quando utilizá-lo na frota e quando destiná-lo ao mercado" (Foto: Leonardo Ruiz)

Para André Torquetti, a possibilidade de utilizar combustíveis produzidos pela própria usina amplia as alternativas para a gestão energética do setor. “Etanol e biometano dão às usinas mais alternativas para definir sua estratégia energética. Quem produz o próprio combustível pode avaliar, de acordo com o cenário operacional e econômico, quando utilizá-lo na frota e quando destiná-lo ao mercado”, afirma.

O executivo destaca que a mudança também pode reduzir a exposição das operações agrícolas às oscilações de um dos principais insumos utilizados na mecanização. “Hoje, o diesel está entre os principais custos da operação agrícola mecanizada. Ao utilizar etanol ou biometano, a usina reduz a exposição a um insumo sujeito a fatores externos e passa a ter maior controle sobre sua matriz energética. É uma decisão que combina inteligência operacional e maior autonomia”, completa Torquetti.

Com a entrada do biometano em sua oferta comercial, a Grunner amplia as alternativas de motorização de suas máquinas inteligentes e aproxima a geração de energia das próprias usinas de seu consumo no campo. A proposta combina a utilização de um combustível renovável com uma arquitetura de máquina desenvolvida especificamente para operações agrícolas de alta demanda, criando uma nova possibilidade para empresas que buscam reduzir custos e diversificar sua matriz energética.

Confira mais detalhes da máquina no vídeo