“Hidratado será a injeção na veia do setor”
09-06-2015

Há no setor sucroenergético quem incentive o fim do álcool hidratado (combustível), direcionando a cana à produção do álcool anidro (o que é adicionado à gasolina), mas na opinião do professor Marcos Fava Neves, da Faculdade de Economia da USP- Ribeirão Preto, o hidratado será a injeção na veia para reanimar o setor sucroenergético. 

O professor aponta razões para essa “valorização” do hidratado: o petróleo volta a subir e analistas internacionais informam que a tendência de alta deve permanecer. Fava Neves, salienta que esse preço maior, somado a desvalorização do Real, amplia o rombo da Petrobras, que precisará aumentar ainda mais o preço da gasolina, elevando a competitividade do etanol e o consumo do combustível verde.

“A produção e consumo de hidratado já estão bem superiores se comparados aos números do ano passado. No mês de abril de 2015, as usinas produziram 1,46 bilhão de litros de hidratado, 50% mais que em abril de 2014”, salienta o professor.

Segundo Fava Neves, outro fator de expansão do consumo de hidratado é o aumento da frota. Hoje no Brasil são 33 milhões de veículos, 22 milhões são flex. Neste ano, serão produzidos mais 3 milhões de carros flex, somados aos 22 milhões existentes, serão 25 milhões, respondendo por 90% da frota brasileira. E com o hidratado sendo mais competitivo em relação à gasolina, o consumo será ainda maior. “Se a atual frota resolver abastecer de uma vez, irá engolir 12 milhões de toneladas de cana apenas nessa abastecida”, exemplifica.

Ao direcionar mais cana para a produção de etanol, o Brasil interfere nos preços internacionais do açúcar, aumentando o preço do produto. O mercado mundial já está de olho nesse desequilíbrio no mix de produção do setor provocado pela maior competitividade do hidratado. Só falta os preços reagirem.

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