Iconic adota corredor a biometano entre Rio e São Paulo
22-01-2026
Joitn venture entre Ipiranga e Chevron, a empresa optou por saltar do diesel para o biometano nas viagens realizadas entre a região metropolitana de SP e RJ
Por Gabriel Chiappini
A Iconic, joint-venture entre Ipiranga e Chevron no segmento de lubrificantes, graxas e fluídos, deu início a um projeto-piloto para descarbonizar a logística rodoviária com a adoção do chamado corredor azul, a biometano, entre Rio de Janeiro e São Paulo.
Atualmente, 28% das viagens realizadas entre a região metropolitana de São Paulo e Duque de Caxias (RJ) já são feitas com carretas movidas ao combustível renovável.
A iniciativa marca o primeiro passo da companhia para reduzir as emissões associadas ao transporte, um dos principais componentes da sua pegada de carbono.
Segundo o gerente de logística da Iconic, Márcio Ouchi, a escolha do biometano foi resultado de um processo de avaliação técnica e estratégica.
“A logística é uma parte muito relevante aqui na pegada de carbono da empresa e, com isso, nós fomos ao mercado para buscar soluções para a trabalhar nesse assunto”, afirmou.
A decisão de partir diretamente do diesel para o biometano, sem uma etapa intermediária com o gás natural veicular (GNV), está relacionada ao potencial de redução de emissões.
“O biometano tem uma capacidade calorífica tão eficiente quanto o GNV. Porém, a redução de emissões de carbônicas do biometano é muito mais eficiente. Pode chegar a 99% se for num trecho full. No caso do GNV, isso é menor, em torno de 15%”, afirmou Ouchi
“Identificamos que o biometano era a melhor solução para começarmos a nossa descarbonização do mundo de logística”, acrescentou.
Embora ainda represente uma parcela pequena do total de viagens contratadas, o biometano também é visto como uma alternativa estratégica diante da dependência histórica do diesel.
“Hoje, o Brasil inteiro depende do transporte rodoviário movido a diesel, sujeitos a oscilações. Tendo mais opções pode ajudar economicamente, mas também na redução de poluentes para o meio ambiente”, disse.
Rota estruturada
O projeto começou em novembro, inicialmente com dois veículos, em parceria com a transportadora Jomed, que já tinha experiência com esse tipo de operação. Pouco tempo depois, a frota foi ampliada.
A rota principal liga a fábrica da Iconic em Duque de Caxias à unidade de Americana (SP), passando pela Via Dutra, com apoio logístico em Guarulhos.
Os caminhões utilizados são modelos de fábrica preparados para operar com biometano, sem necessidade de adaptações.
“É importante citar que todos esses veículos já são de fábrica preparados para utilizar biometano. Ou seja, não é necessária nenhuma adaptação que torne o processo mais seguro”, destacou o executivo.
A autonomia média gira em torno de 650 quilômetros, suficiente para cobrir grande parte do trajeto.
Apesar do foco no biometano, o projeto prevê flexibilidade operacional. Em situações pontuais, o abastecimento pode ser complementado com gás natural veicular (GNV), utilizando a infraestrutura já existente ao longo da rota.
“Para emergências nós utilizamos o GNV como uma possibilidade”, explicou Ouchi, ressaltando que há postos disponíveis em Duque de Caxias, Americana e na região de Guarulhos.
A expectativa é aproveitar justamente os corredores já estruturados no Sudeste, onde a oferta de abastecimento é maior.
O gerente também avalia que políticas públicas recentes podem acelerar esse movimento.
“Essas políticas auxiliam muito para incentivar cada vez mais a produção, a distribuição também com a implantação de novos pontos de abastecimento”, disse, citando ainda incentivos fiscais e benefícios na aquisição de veículos.
O fornecimento do biometano é feito com apoio da Ultragaz, parceira do mesmo grupo econômico, que também já abastece a fábrica da Iconic em Duque de Caxias para uso industrial.
A operação logística, no entanto, utiliza postos de mercado e parceiros ao longo da cadeia.
“Não é uma negociação direta. É uma parceria, onde ele é o fornecedor, nós somos usuários e utilizamos parceiros ao longo da cadeia”, explicou Ouchi.
Fonte: Agência Eixos

