Importações de fertilizantes do Brasil bateram recorde em 2025, diz consultoria
13-01-2026

O Brasil importou 44,96 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025, alta de 2,9% em relação a 2024 — Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
O Brasil importou 44,96 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025, alta de 2,9% em relação a 2024 — Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

Produtores e compradores adotaram estratégias de redução de custos, priorizando fertilizantes de menor concentração de nutrientes

Por Valor — São Paulo

As importações brasileiras de fertilizantes bateram recorde em 2025, com 44,96 milhões de toneladas, alta de 2,9% em relação a 2024, segundo dados levantados pela consultoria StoneX. O avanço ocorreu apesar de preços elevados e de um cenário de margens apertadas no campo.

De acordo com a empresa, produtores e compradores adotaram estratégias de redução de custos, priorizando fertilizantes de menor concentração de nutrientes. Produtos como sulfato de amônio (SAM) e superfosfato simples (SSP) ganharam espaço em detrimento de insumos mais concentrados, como ureia e fosfato monoamônico (MAP).

Em 2025, as importações de ureia recuaram 7%, enquanto as compras de sulfato de amônio cresceram quase 28%. No segmento de fosfatados, as aquisições de MAP caíram cerca de 25,7%, ao passo que as importações de SSP avançaram 22% e as de NP (nitrogênio e fósforo) aumentaram 31,7%.

Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, a opção por fertilizantes de menor concentração exige a aplicação de maiores volumes para garantir o mesmo nível de adubação, o que contribuiu para o aumento do volume total importado pelo Brasil ao longo do ano.

Esse movimento elevou a participação de sulfato de amônio, superfosfato simples e NP no mercado brasileiro em 2025. Para 2026, a continuidade dessa tendência dependerá de fatores como preços, disponibilidade, relações de troca e custo-benefício, além do cenário internacional, marcado por incertezas nas exportações, volatilidade nas negociações globais e riscos geopolíticos.

“Não é possível afirmar se os fertilizantes de menor concentração manterão em 2026 a mesma representatividade observada em 2025. Contudo, com a proximidade do período de adubação nos Estados Unidos, rumores de suspensão de exportações chinesas, volatilidade nas negociações indianas e o risco constante de sanções comerciais, o comprador brasileiro tende a seguir atento às oportunidades, buscando reduzir custos e preservar a competitividade”, conclui Pernías.

Do site: Globo Rural