ISO projeta recuperação da oferta global de açúcar
19-05-2026

Produção mundial deve atingir recorde em 2025/26, aponta relatório

Andréia Vital

A Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês) passou a projetar superávit global de 2,244 milhões de toneladas de açúcar na safra mundial 2025/26, ciclo internacional que considera o período entre outubro de 2025 e setembro de 2026. A nova estimativa foi divulgada nesta segunda-feira (18), no relatório Quarterly Market Outlook.

O volume representa revisão positiva de 1 milhão de toneladas em relação à projeção divulgada em fevereiro. Segundo a entidade, o avanço da oferta global ocorre principalmente pelo aumento da produção em países como Tailândia, Paquistão e Índia.

A produção mundial foi estimada em 182,004 milhões de toneladas, crescimento de 3,49% sobre a temporada anterior. Já o consumo global deverá atingir 179,760 milhões de toneladas, alta de 0,39%.

A ISO também revisou os números da safra mundial 2024/25. O déficit global caiu de 3,464 milhões para 3,196 milhões de toneladas após atualização estatística e validação dos dados pelos países membros da organização.

Os estoques globais de açúcar foram projetados em 79,360 milhões de toneladas em 2025/26. A relação estoque/consumo ficou em 44,15%, ligeiramente acima do ciclo anterior, considerado o menor nível em 16 anos pela metodologia revisada da ISO.

Etanol ganha competitividade no Brasil

O relatório destaca que a queda dos preços internacionais do açúcar desde o fim de 2025 passou a favorecer o direcionamento da cana para a produção de etanol no Centro-Sul brasileiro.

A produção global de etanol combustível deverá subir de 123,1 bilhões de litros em 2025 para 129,4 bilhões em 2026. O consumo mundial foi projetado em 126,9 bilhões de litros no próximo ano.

No Brasil, a produção de etanol foi estimada em 36,5 bilhões de litros em 2026, ante 33,2 bilhões em 2025. Segundo a ISO, a combinação entre preços mais atrativos do biocombustível e alta do petróleo tem sustentado maior demanda global por combustíveis renováveis.

A organização informou que vários países passaram a ampliar programas de mistura obrigatória de biocombustíveis após o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Brasil, Índia e União Europeia avaliam avanços para misturas E32, E25 e E20, respectivamente.

Petróleo e fertilizantes pressionam mercado

O relatório aponta que o conflito no Golfo Pérsico provocou forte impacto sobre os mercados de energia e fertilizantes no primeiro trimestre de 2026. O petróleo Brent alcançou média de US$ 102,81 por barril em abril, enquanto a ureia FOB Oriente Médio subiu 54% em março, para aproximadamente US$ 725 por tonelada.

Segundo a ISO, a alta dos custos energéticos também elevou a volatilidade das commodities agrícolas e aumentou as preocupações do mercado com disponibilidade de insumos e possíveis impactos sobre a produção mundial.

No comércio global de açúcar, a disponibilidade exportável foi estimada em 64,234 milhões de toneladas em 2025/26, enquanto a demanda de importação deverá atingir 63,334 milhões de toneladas. O superávit comercial projetado pela entidade é de 900 mil toneladas.

O Brasil permanece como principal exportador global, com embarques estimados em 32 milhões de toneladas na temporada mundial 2025/26, abaixo dos 33,348 milhões registrados no ciclo anterior.

El Niño entra no radar da próxima safra

A ISO também divulgou sua primeira avaliação para a safra global 2026/27, indicando déficit de 262 mil toneladas e redução próxima de 2 milhões de toneladas na produção mundial de açúcar.

O relatório aponta aumento do risco climático associado ao El Niño, especialmente para países asiáticos produtores de açúcar e melaço. A produção global de melaço, excluindo o Brasil, deverá atingir 51,1 milhões de toneladas em 2025/26 antes de desacelerar no ciclo seguinte.

Segundo a ISO, os fluxos globais de comércio seguem sendo influenciados pelas restrições logísticas no Golfo Pérsico, pela retirada da taxa de exportação da Índia e pela proibição de importações nas Filipinas.