Justiça manda leiloar bens rurais do extinto Grupo Bertolo no interior de São Paulo
08-05-2026

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Propriedades serão vendidas para arrecadar recursos para pagamento de parte de dívida bilionária deixada pela companhia 

A Justiça determinou o leilão de direitos sobre a propriedade de três áreas rurais de fazendas pertencentes à massa falida da Floralco Açúcar e Álcool, do extinto Grupo Bertolo, localizadas em Santa Adélia (SP), que juntas somam aproximadamente 109,8 hectares. Entre os últimos ativos da empresa a irem à venda, após a falência decretada em 2017, os bens estão avaliados em cerca de R$ 8,7 milhões. 

O pregão, conduzido pela plataforma Teza Leilões, começa no dia 12 de maio e tem como objetivo arrecadar recursos para pagamento de parte da dívida bilionária deixada pela companhia, que hoje estima-se, esteja em R$ 2,11 bilhões.

O certame está estruturado em três etapas sucessivas. A primeira tem início em 08 de maio, com lances a partir do valor de avaliação. Caso não haja propostas, o leilão segue automaticamente para a segunda fase, no dia 12, quando serão aceitos lances com até 50% de desconto. A disputa ainda pode avançar para uma terceira etapa, que ocorrerá de 27 de maio a 11 de julho, período em que os bens poderão receber lances a partir de R$ 1 mil. 

A venda é composta por três lotes com diferentes estruturas. O maior deles possui 58,08 hectares, com avaliação de R$ 4,6 milhões. A propriedade conta com casa-sede de 12 cômodos, imóveis de apoio, casas para funcionários, além de infraestrutura com energia elétrica e abastecimento de água. O segundo, reúne uma área de 38,39 hectares, avaliada em R$ 3,07 milhões, localizada às margens da Rodovia Washington Luís (SP-310), importante eixo logístico do estado. 

Já o terceiro lote, com 13,35 hectares, está avaliado em R$ 1,06 milhão e inclui casa-sede, pomar com árvores frutíferas e área destinada à produção agrícola, sendo uma alternativa para investidores ou produtores de menor porte.

Os pregões são totalmente digitais e ocorrem pelo portal   Teza Leilões.  Na plataforma, os interessados têm acesso a todas as informações, editais, documentos e orientações sobre o processo de habilitação e envio de lances. 

Crise financeira, reestruturação e falência do grupo 

Fundado na década de 1930 como um negócio familiar voltado à produção artesanal de rapadura e cachaça, o Grupo Bertolo evoluiu ao longo dos anos para um dos principais nomes do setor sucroalcooleiro, reunindo as usinas Bertolo e Floralco e ampliando sua atuação para a produção de açúcar, álcool, geração de energia e comercialização de produtos agrícolas. 

As dificuldades financeiras começaram a surgir em 2007. No pedido de recuperação judicial, apresentado em 2010, o grupo atribuiu a crise à queda nos preços do setor, que teria levado à venda de produtos abaixo do custo, cenário agravado pela crise global de 2008, com redução do crédito e dos preços internacionais. Segundo a própria empresa, o quadro também foi impactado por alto endividamento, dificuldades operacionais, vendas antecipadas da produção e falta de capital de giro. 

Sem conseguir se reestruturar, o Grupo Bertolo passou a registrar prejuízos recorrentes, paralisação das atividades e incapacidade de honrar suas obrigações, o que resultou na decretação da falência em 2017. Desde então, diversos ativos do grupo foram alienados, incluindo imóveis rurais, áreas agrícolas, máquinas e equipamentos industriais. Entre os principais, destaca-se a Usina Floralco, vendida em 2019 por R$ 54 milhões. Até o momento, a arrecadação com a venda desses ativos supera R$ 197 milhões.

Lauri Pereira