Maio será marcado por dados do USDA, Conab e Unica relativos ao Centro-Sul do Brasil
05-05-2026
A SAFRAS & Mercado já havia antecipado este cenário em sua primeira estimativa da safra nova 2026/27 sobre o Brasil e o Centro-Sul do Brasil publicado em dezembro de 2025 e, posteriormente, reforçada no início de março de 2026 em sua segunda estimativa para a safra nova. O vetor central de análise da safra nova 2026/27 do Centro-Sul é de alta no volume de cana a ser processada, mas de corte na produção de açúcar
A SAFRAS & Mercado pontua que o mês de maio que estamos começando será um período marcado pela atualização de três pontos de referência fundamental muito importantes ao mercado de açúcar, principalmente sobre a formação dos preços do açúcar bruto em Nova York. Estas três instituições publicaram seus respectivos relatórios de projeção de oferta ao longo da segunda quinzena de abril. Porém a SAFRAS & Mercado alerta que a influência sobre os preços do açúcar bruto em Nova York [e, consequentemente sobre os preços no mercado físico no Centro-Sul do Brasil], deverá ainda ser observada e sentida não somente ao longo de maio, mas sobre o restante do segundo e terceiro trimestre de 2026.
Basicamente temos cortes nas estimativas de produção de açúcar por todas as entidades não privadas relevantes no mercado que possuem influência real sobre a formação dos preços do açúcar bruto em Nova York. Porém, a SAFRAS & Mercado já havia antecipado este cenário em sua primeira estimativa da safra nova 2026/27 sobre o Brasil e o Centro-Sul do Brasil publicado em dezembro de 2025 e, posteriormente, reforçada no início de março de 2026 em sua segunda estimativa para a safra nova. O vetor central de análise da safra nova 2026/27 do Centro-Sul é de alta no volume de cana a ser processada, mas de corte na produção de açúcar que será compensada pela alta na produção de etanol, tanto anidro quanto hidratado.
Apenas para ter uma referência de análise temos como base os dados mais recentes da SAFRAS & Mercado que apontam para uma produção de 620 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul na safra 2026/27 que se mostrarão 2,99% mais altos que a moagem de 2025/26 a qual fora de 602 milhões de toneladas, com um crescimento absoluto de 18 milhões de toneladas. Por sua vez, os dados da Conab relativos ao primeiro levantamento da safra nova 2026/27 do Centro-Sul mostram uma alta de 5,44% em relação os dados da safra passada em 616 milhões de toneladas, com um crescimento absoluto de 33 milhões de toneladas. O USDA, por sua vez, em sua antecipação de dados feira em abril pela adida local, aponta uma moagem de cana sobre o Centro-Sul de 620 milhões de toneladas sobre a safra 2026/27. Isto representa uma alta de 4,80% frente ao que fora estimado pelo USDA na safra passada 2025/26 em 605 milhões de toneladas, com um crescimento absoluto de 29 milhões de toneladas.
Por sua vez a Unica atualizou no final de abril os primeiros dados de moagem de cana relativos a primeira metade de abril, sem apontar estimativas de moagem total sobre a safra nova 2026/27. Ainda assim os dados foram importantes para acompanha a evolução da safra 2026/27 que, na visão da SAFRAS & Mercado, havia sido antecipada ainda ao longo de março, porém com os dados de até então contabilizados na safra anterior 2025/26. A SAFRA & Mercado pontua que a safra anterior 2025/26 fora efetivamente encerrada na segunda metade de fevereiro quando, á época, foram processadas, 361 mil toneladas de cana, movimento típico de final de temporada. Porém, em março os dados de moagem de cana voltaram a crescer fortes, com volumes de 1,24 milhão de toneladas na primeira metade do mês e de 7,55 milhões de toneladas na segunda metade de março.
Enquanto em fevereiro ao todo foram processadas 713 mil toneladas de cana, em março houve um aumento expressivo para 8,79 milhões de toneladas, resultado do início antecipado da safra nova 2026/27 por parte de dezenas de usinas no Centro-Sul. Diante deste movimento, a SAFRAS & Mercado considera os dados finais do Centro-Sul sobre a safra 2025/26 em 602 milhões de toneladas. Em tese, as 8,74 milhões de toneladas processadas em março deveriam ser contabilizadas sobre a safra nova 2026/27. Neste sentido há uma diferença entre os dados finais contábeis da safra 2025/26 em 611 milhões de toneladas dos dados finais operacionais em 602 milhões de toneladas. Reforçamos então, que consideramos como dados finais da safra 2025/26 os 602 milhões de toneladas. Porém o mercado em maio observará o quanto a primeira quinzena de abril tem se posicionado em relação ao mesmo momento do ano anterior e em relação a quinzena imediatamente anterior no Centro-Sul para buscar um norte de precificação sobre as cotações do açúcar bruto em Nova York ao longo da primeira quinzena de maio.
Neste sentido, os dados da Unica mostram que na primeira quinzena de abril foram processadas 19,95 milhões de toneladas de cana na região, com uma alta frente ao mesmo momento do ano passado de 20%. Em relação a quinzena imediatamente anterior, a segunda de março, o crescimento fora de 164% frente ao volume visto naquele período de 7,55 milhões de toneladas [considerando aqui o volume de atividade das usinas que anteciparam a moagem da safra nova 2026/27 a qual ainda fora contabilizada na safra anterior 2025/26]. O mesmo podemos afirmar do açúcar, que teve uma produção de 647 mil toneladas na primeira metade de abril, mostrando queda de 12% no ano [frente as 735 mil toneladas vistas no mesmo momento do ano anterior] mas que se mostraram um crescimento de 263% na margem, ou seja, frente a quinzena imediatamente anterior.
Neste ponto temos dois pontos de vistas distintos de observar o mercado pela ótica dos dados de produção de açúcar do Centro-Sul de curto prazo. De um lado temos a ótica do copo meio cheio, com uma alta de curto prazo de 263% na produção de açúcar [dados da primeira metade de abril contra os dados da segunda metade de março, com a evolução na margem sob ótica de análise]. Por outro lado, temos a ótica do copo meio vazio, com uma queda de 12% no ano [primeira metade de abril de 2026 contra a primeira metade de abril de 2025]. Neste contexto a SAFRAS & Mercado alerta que o comparativo anual evidencia a perspectiva de baixa na produção de açúcar mesmo com uma alta na produção de cana.
Este vetor fundamental fora antecipado pela SAFRAS & Mercado em sua primeira estimativa de safra realizada em dezembro de 2025 e reforçada na segunda estimativa de março de 2026. Esta queda no comparativo anual reflete a tendência de queda na produção de açúcar estimada para todo o ano, como um reflexo dos preços mais baixos em Nova York. Por sua vez, o avanço de 263% na margem na oferta de açúcar reflete basicamente um carregamento estatístico dos dados baixos da segunda metade de março em meio ao avanço antecipado já amadurecido visto na primeira metade de abril. Logo, a alta de 263% na margem vista na primeira metade de abril mostra apenas um carregamento estatístico de curto prazo que em nada mostra uma eventual reversão de alta na produção de açúcar ao longo do ano.
Segundo na produção de açúcar, a SAFRAS & Mercado considera para a safra nova 2026/27 [segunda estimativa de safra] uma oferta de 37 milhões de toneladas a serem vistas no Centro-Sul, o que representará uma queda de 7,50% em relação aos dados da safra anterior de 40 milhões de toneladas, com uma queda em termos absolutos de 3,0 milhões de toneladas. Os dados da Conab de seu primeiro levantamento da safra nova 2026/27 apontam para uma produção de 40,22 milhões de toneladas, com uma queda de 1,38% em relação aos dados da temporada anterior que foram de 40,78 milhões de toneladas, com um corte absoluto de apenas 563 mil toneladas. Por sua vez, o USDA projeta uma oferta de açúcar no Centro-Sul de 39 milhões de toneladas na safra nova 2026/27, contra um volume de 40,6 milhões de toneladas da safra anterior 2025/26, com uma queda de 3% no ano.
De modo geral, a SAFRAS & Mercado alerta que os preços de Julho/26 deverão seguir encontrando um apoio em nove vetores de mercado que atuam de forma simultânea sobre os preços onde podemos listar: 1 – altas no petróleo em função da saíra dos Emirados da Opep+; 2 – altas na gasolina que oscilam em seus maiores níveis de preços em 3,75 anos; 3 –queda de 1,4% na produção de açúcar [o qual deverá sair de 40,78 para 40,22, com um corte de 563 mil toneladas] na primeira estimativa da safra 2026/27 do Centro-Sul pela Conab; 4 – queda de 2,97% na produção do Brasil estimado pelo USDA [com um corte de 1,30 milhão de toneladas, saindo de 43,80 para 42,50 milhões de toneladas; 5 – queda de 1,47% nas exportações do Brasil apontadas pelo USDA que deverão sair de 34,10 para 33,60 milhões de toneladas, com um corte de 501 mil toneladas; 6 – queda de 9,53% na demanda interna do Brasil que deverá sair de 9,94 para 9,00 milhões de toneladas, com um corte de 948 mil toneladas; 7 – queda de 15,62% na produção da Tailândia que deverá recuar de 11,25 para 9,50 milhões de toneladas, com um corte de 1,75 milhão de toneladas; 8 – queda de 14,29% nas exportações da Tailândia que deverão recuar 1,00 milhão de toneladas saindo de 7,0 para 6,0 milhões de toneladas; 9 – perspectiva de elevação no blend de E-30 para E-32 que deverá concentrar ainda mais o mix de produção a favor do etanol e reduzindo a do açúcar.
Por sua vez, os vetores de baixa aos preços do açúcar em Nova York a serem vistos em maio são basicamente três: 1 – alta de 69,39% nos estoques iniciais da safra nova, com acréscimo de 1,14 milhão de toneladas, com os volumes saindo de 1,63 para 2,78 milhões de toneladas; 2 – alta de 0,79% na produção da China que deverá sair de 12,60 para 12,70 milhões de toneladas; 3 - estabilidade na demanda interna em 15,80 milhões de toneladas; 4 – alta de 44,56% nos estoques finais da safra nova, com ganhos em volume de 1,24 milhão de toneladas, os quais deverão sair de 2,78 para 4,02 milhões de toneladas; estabilidade nas importações da China em 4,50 milhões de toneladas.
Fonte: Udop

