Maurílio Biagi vê safra melhor e cita dia histórico no setor
12-03-2026
Empresário aponta estoques menores e mudanças no cenário sucroenergético
Andréia Vital
A 10ª DATAGRO Abertura de Safra Cana, Açúcar e Etanol reúne nesta semana lideranças do setor sucroenergético em Ribeirão Preto - SP para discutir as perspectivas da safra 2026/27 e o cenário para os mercados de açúcar e etanol. O encontro começou nesta quarta-feira (10) e termina nesta quinta-feira (11), com a participação de executivos, produtores e especialistas da cadeia produtiva da cana-de-açúcar.
Presente no evento, o empresário Maurílio Biagi afirmou que a conferência se consolidou como um dos principais fóruns de discussão do setor e funciona como um indicador das tendências da atividade. “Esse evento da DATAGRO melhora a cada ano e se aperfeiçoa continuamente. É um encontro que baliza o setor e toda a cadeia produtiva. Aqui estão fornecedores, produtores e empresas discutindo as perspectivas da safra. É um termômetro que acaba sendo observado também por outros países”, afirmou.
Na avaliação do empresário, as perspectivas para o novo ciclo são mais favoráveis que as do ano anterior, mesmo em um ambiente internacional marcado por incertezas geopolíticas. “Este ano deve ser melhor que o anterior. Mesmo com um cenário global complicado, os estoques de açúcar estão diminuindo e os de etanol também estão menores. Isso abre espaço para o setor”, disse.
Biagi comentou ainda que alguns sinais observados durante o evento indicam mudanças no setor e classificou o momento como um “dia histórico”. Entre os exemplos citados por ele está a presença, no material distribuído aos participantes do encontro, de um folheto anunciando a venda de uma usina, algo inédito até agora nesse tipo de evento. De acordo com o material, a unidade está localizada no Noroeste Paulista e possui capacidade de moagem de 16.800 toneladas de cana por dia.
O empresário também mencionou o pedido de recuperação extrajudicial apresentado pela Raízen para renegociar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas, movimento que, segundo ele, reflete um momento de ajustes no ambiente econômico.
“É um dia que marca uma fase que o Brasil vai passar. Temos excesso de gastos e juros muito altos. Antes das eleições isso era criticado pelo atual governo e agora, já perto do fim do mandato, os juros continuam elevados e sempre a culpa acaba sendo atribuída a alguém”, afirmou.
Biagi também demonstrou preocupação com fatores estruturais da economia brasileira, citando custos elevados, escassez de mão de obra e debates sobre mudanças na legislação trabalhista.
Segundo ele, 2026 será marcado por eventos internacionais relevantes, como a Copa do Mundo e processos eleitorais, o que pode reduzir o número de dias efetivos de trabalho ao longo do ano.
“O país enfrenta falta de mão de obra e discute redução de horas trabalhadas em um ambiente em que a produtividade ainda é baixa. Esse cenário preocupa e exige atenção para que o Brasil consiga melhorar sua competitividade”, avaliou.
Confira:

