Metade dos CEOs do agronegócio no Brasil já disputa novos mercados, aponta a PwC
04-02-2026

Pesquisa revela inovação como prioridade estratégica e inflação como principal risco do setor

Por Andréia Vital

O agronegócio brasileiro passa por um processo de redefinição estratégica impulsionado por tecnologia, fatores climáticos e maior incerteza econômica. Segundo a 29ª edição da CEO Survey da PwC, metade dos CEOs do setor afirma que suas empresas passaram a competir em novos mercados nos últimos cinco anos, percentual alinhado à média nacional de todos os segmentos da economia.

O levantamento ouviu mais de 4,4 mil executivos em 95 países, incluindo o Brasil, e indica que a convergência entre setores avança no agronegócio, com empresas buscando novas fontes de receita, modelos de atuação e ganhos de eficiência diante de um ambiente mais volátil e competitivo.

Nesse contexto, a inovação assume papel central. De acordo com a pesquisa, 63% dos CEOs do agronegócio no Brasil consideram a inovação um componente crítico da estratégia de negócios, patamar superior à média global e levemente acima da média brasileira quando considerados todos os setores. O dado reflete a necessidade de adaptação contínua dos modelos produtivos e operacionais.

A colaboração com parceiros externos também ganha relevância. Cerca de 38% das empresas do agronegócio mantêm parcerias com fornecedores, startups e universidades para acelerar a inovação, percentual acima da média global. Além disso, 35% testam rapidamente novas ideias com clientes ou usuários finais, indicando uma abordagem mais prática e orientada a resultados.

Apesar do avanço das agendas de reinvenção, a gestão do tempo dos CEOs segue fortemente concentrada no curto prazo. No Brasil, 54% da agenda dos líderes do agronegócio é dedicada a temas com horizonte inferior a um ano, patamar superior à média global do setor. As decisões de longo prazo, com horizonte de cinco anos ou mais, ocupam apenas 15% do tempo, evidenciando a dificuldade de equilibrar demandas imediatas com estratégias estruturais.

O documento destaca também que a Inteligência Artificial começa a se consolidar como um vetor de crescimento para parte das empresas do agronegócio. Segundo a pesquisa, 33% dos CEOs do setor no Brasil reportaram aumento de receita atribuído ao uso da tecnologia, enquanto a maioria ainda percebe pouca ou nenhuma alteração.

Em relação aos custos, os efeitos são mais equilibrados. Um terço das empresas observou redução associada a ganhos de eficiência e automação, enquanto 48% relataram estabilidade. O cenário indica que a captura de benefícios da IA ocorre de forma gradual, à medida que as soluções amadurecem e se integram às operações.

A tecnologia também começa a impactar a força de trabalho. Cerca de 60% dos CEOs avaliam que suas empresas precisarão de menos profissionais em início de carreira nos próximos três anos. Para cargos de nível médio e sênior, o impacto esperado é significativamente menor.

A pesquisa revela um recuo no otimismo dos CEOs do agronegócio em relação ao desempenho econômico. Para os próximos 12 meses, 50% projetam aceleração da economia global, percentual inferior ao registrado na edição anterior do levantamento. No caso da economia brasileira, 58% esperam aceleração, também abaixo do nível observado no ano anterior.

A confiança no crescimento da receita das próprias empresas no curto prazo caiu de 48% para 38%, sinalizando maior cautela diante de um ambiente mais instável.

No mapa de riscos, a inflação aparece como a principal preocupação dos CEOs do agronegócio no Brasil, citada por 35% dos executivos. As mudanças climáticas e a instabilidade macroeconômica também figuram entre os riscos mais relevantes, enquanto ameaças cibernéticas e tecnológicas ainda têm peso relativamente menor, embora com tendência de crescimento no médio e longo prazo.