Minas Gerais atrai investimentos para fortalecer o mercado de biocombustíveis
19-03-2024

As usinas em atividade em Minas Gerais já produzem, por ano, 14% da produção de bioeletricidade no Brasil, utilizando a palha e o bagaço da cana — Foto: Getty Images
As usinas em atividade em Minas Gerais já produzem, por ano, 14% da produção de bioeletricidade no Brasil, utilizando a palha e o bagaço da cana — Foto: Getty Images

O estado vai receber R$ 11,3 bilhões em obras capazes de posicionar a região entre as maiores produtoras do mundo em alternativas renováveis para a mobilidade

Por Governo de Minas Gerais

Neste momento, Minas Gerais deu início a um dos maiores conjuntos de investimentos da história do setor de biocombustíveis e açúcar da história do país. Resultado de uma parceria com a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), a iniciativa, anunciada em setembro, envolve 12 empresas, investimentos da ordem de R$ 11,3 bilhões e a geração de cerca de 1,6 mil empregos diretos, principalmente na região do Triângulo Mineiro.

Os valores serão aplicados em pontos variados da cadeia produtiva, de forma que o estado possa dar um salto não apenas na produção de biocombustíveis, mas também no objetivo de descarbonização da economia por uma transição ambientalmente responsável.

As ações terão consequência, inclusive, na produção de energia, já que grande parte das usinas já utiliza o bagaço da cana (biomassa) para gerar eletricidade. Neste momento, as usinas em atividade no estado já produzem, por ano, aproximadamente 2,6 GWh, utilizando a palha e o bagaço da cana, o que representa 14% da produção de bioeletricidade no Brasil.

A atração de investimentos faz parte de um esforço mais amplo, que envolve, também, o apoio à companhia Stellantis, dona de marcas como a FIAT, que está desenvolvendo um amplo programa de pesquisa e produção de carros com motores híbridos, com baixo impacto ambiental.

Apoio ao agro

Disposto a ter a economia mais verde do país, o estado foi o primeiro, em toda a região da América Latina e do Caribe, a aderir à campanha global Race to Zero e a anunciar a meta de zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050. Em coerência com essa proposta, vem investindo em uma série de ações relevantes, em diferentes setores da economia e para além do incentivo à mobilidade sustentável.

No apoio ao agronegócio, por exemplo, o governo estadual segue em tratativas avançadas para a construção de uma fábrica de fertilizantes verdes em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Seria a primeira do hemisfério sul, resultado de um investimento de R$ 5 bilhões a ser realizado pela empresa Atlas Agro.

Outro projeto apoiado pelo poder público mineiro vem sendo desenhado pela marca de proteína animal Cara Preta (GRUPO A.R.G). A proposta é implementar um projeto pioneiro de produção de proteína animal nas fazendas Santa Mônica e Santa Terezinha, em São João da Ponte, e na Fazenda Fortaleza de Santa Teresinha, em Jequitaí, no Norte de Minas.

Eletricidade renovável

Minas Gerais avança também na frente da eletricidade renovável. De acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o estado já ultrapassou a marca de 7 GW de capacidade instalada de energia solar fotovoltaica, unindo os modelos de geração distribuída e centralizada.

E trabalha para ampliar esta disponibilidade, mas não só: pretende também se tornar um polo de fabricantes de equipamentos, fornecedores de peças e mão-de-obra especializada em energia limpa.

Este esforço se desdobra também em outras fontes com grande potencial, como o hidrogênio verde: o estado atraiu a primeira fábrica de equipamentos produtores do insumo do mundo. E trabalha para liderar o setor de combustíveis renováveis, com investimentos de R$ 11,3 bilhões para acelerar a produção de etanol, com possibilidade, inclusive, de ampliar a utilização de bagaço de cana para produzir energia.

As iniciativas incluem ainda a assinatura de um protocolo de investimento firmado junto à empresa italiana ASJA, para a instalação de uma fábrica de biometano no aterro sanitário de Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Serão investidos R$ 152 milhões em uma planta que promete ser modelo no reaproveitamento dos resíduos orgânicos das grandes cidades. Com o benefício de que o biometano pode substituir o gás natural no abastecimento de indústrias e veículos.

Do site: O Globo