Morre Luiz Antonio Ribeiro Pinto, um dos pais do ProÁlcool!
30-03-2026

Ex-presidente da Usina Santa Lydia, e da Santal, desenvolveu a primeira colhedora de cana crua e o Densímetro Termo Compensado para conferir a qualidade do etanol

Luciana Paiva

Faleceu neste domingo, 29 de março, Luiz Antonio Ribeiro Pinto, considerado um dos “país do Proálcool”. Instituído em 1975, no governo Ernesto Geisel, o ProÁlcool – Programa Nacional do Álcool - tinha o objetivo de reduzir a dependência do petróleo, com a substituição da gasolina pelo álcool. Na época, o planeta enfrentava o primeiro choque dos preços do petróleo e o Brasil dependia de importações. Pensar no etanol naquele tempo foi antever o papel estratégico do País no século XXI como grande potência energética e baseada em combustível renováveis e sustentável.

Todo grande projeto para se consolidar, precisa de inventores. No caso do Proálcool, a cana-de-açúcar tinha a família Ribeiro Pinto, proprietária da Usina Santa Lydia, localizada em Ribeirão Preto. Arnaldo e seu filho, Luiz Antônio, eram dados à inovação, a Santa Lydia foi a primeira usina do Brasil a produzir álcool especial para perfumaria, cosméticos, bebidas e farmacêuticas.

No campo, os Ribeiro Pinto criaram nos anos de 1950 a primeira colhedora de cana do Brasil. Em 1960 fundaram a Santal Equipamentos Agrícolas, que desenvolvem vários implementos para cana e amendoim e, em 1990, a primeira colhedora de cana crua do mundo.

Em abril de 2024, para a produção do livro “Cana de Tudo: do Açúcar ao Infinito”, entrevistei Luiz Antônio, aos 92 anos. Contou-me sobre as muitas negociações que os representantes do setor tiveram com governo federal, Petrobras, montadoras de veículos para implementar o programa do álcool.

Quando o álcool chegou às bombas, foi uma grande satisfação, mas salientou que passou a ter uma preocupação, ao perceber que o consumidor enfrentava dificuldades com a qualidade do produto, principalmente devido a mistura de água no combustível. “Era um grande problema: como garantir ao consumidor que estava colocando um etanol de qualidade? A mistura precisava ser medida por densímetria e considerar as variáveis da temperatura”, contou.

 Luiz Antônio era formado em engenharia mecânica e resolveu solucionar o problema. “Durante seis meses projetei e inventei um densímetro com correção automática da temperatura, fácil de ler, e dei a uma empresa especializada sua produção. Se aparecer a coluna vermelha do termômetro acima da superfície do líquido, o etanol está fora de especificação. Tudo muito simples”, relembrou.

O Densímetro Termo Compensado Santal foi lançado em 1981. A Shell adotou-o em primeiro lugar e nos primeiros seis meses teve exclusividade em sua rede. Em seguida, Luiz Antônio patenteou e ofereceu a patente para que fosse utilizada em todas as bombas de abastecimento. Foi padronizado no país todo e é obrigatório. Até hoje é a tecnologia utilizada para medir a qualidade do etanol.

Em relação ao etanol da cana-de-açúcar, Luiz Antônio não tem dúvida que é a melhor opção de combustível veicular e que se encaixa muito bem na tecnologia de carros elétricos híbridos. “Não é difícil aprimorar essa tecnologia, basta ter boa vontade, o resto a cana oferece. Não precisamos de gasolina. Porém, isso vai contra o interesse de muitos. Então, a luta continua”, concluiu.

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https://canaonline.com.br/conteudo/cana-de-tudo-do-acucar-ao-infinito.html