MS amplia produção e atrai novos investimentos em etanol de milho
22-04-2026

Estado produziu 2,1 bilhões de litros e avança com nova usina

Andréia Vital

Mato Grosso do Sul reforça sua posição na bioenergia com crescimento da produção e novos investimentos industriais no etanol de milho. Na safra 2025/2026, o estado produziu 2,128 bilhões de litros do biocombustível, volume que representa 20,92% do total nacional, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O desempenho mantém o estado como o segundo maior produtor do país, atrás de Mato Grosso, e evidencia a consolidação do Centro-Sul como principal polo de expansão do etanol de milho. Em relação à safra anterior, houve crescimento de 33,9%, impulsionado pela ampliação da capacidade industrial e maior integração com a produção agrícola.

Do total fabricado em Mato Grosso do Sul, 26,89% correspondem ao etanol anidro, utilizado na mistura com a gasolina, enquanto 73,11% são de etanol hidratado, destinado ao consumo direto. O milho já responde por 43,21% de todo o biocombustível produzido no estado, considerando também a cana-de-açúcar.

Nova usina reforça avanço industrial

O ciclo de expansão ganha novo impulso com a instalação de uma usina em Jaraguari. O projeto da Usina de Etanol de Amido Pioneiras foi viabilizado no último mês, com a emissão da Licença de Instalação, e prevê investimento de R$ 300 milhões.

A unidade terá capacidade para processar 500 toneladas diárias de milho ou sorgo, com produção estimada de até 200 mil metros cúbicos de etanol por ano. A nova planta amplia a base industrial do estado, que já conta com usinas em operação em Sidrolândia, Dourados e Maracaju.

Além da produção, o empreendimento deve gerar empregos, fortalecer a infraestrutura local e atrair novos negócios para o município. A instalação também se apoia em iniciativas de organização industrial e melhoria logística, incluindo projetos de pavimentação de acesso.

Autoridades estaduais destacam que a agilidade no licenciamento ambiental e o ambiente favorável aos investimentos têm sido determinantes para a atração de novos projetos. O avanço reforça a estratégia de agregar valor à produção de grãos e ampliar a competitividade no mercado de energias renováveis.

A expansão do etanol de milho ocorre em paralelo à diversificação do uso da terra em Mato Grosso do Sul. A soja ocupa mais de 4,6 milhões de hectares, enquanto áreas de eucalipto somam cerca de 1,9 milhão de hectares. As pastagens representam aproximadamente 46% do território, indicando potencial de intensificação produtiva.

O movimento consolida um modelo baseado na integração entre agricultura, indústria e energia, com foco na agregação de valor e no aproveitamento de áreas já antropizadas. A combinação de escala agrícola, infraestrutura e política de atração de investimentos sustenta o avanço do estado na bioenergia.