Nematoide é identificado em quase nove de cada dez amostras analisadas em propriedades do Centro-Oeste
11-08-2026
Expedição em três estados mostra predominância de Pratylenchus brachyurus em áreas de produção de milho e algodão e reforça importância do diagnóstico para o manejo
Um levantamento realizado em propriedades de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás identificou Pratylenchus brachyurus em 87,5% das amostras coletadas nas 24 propriedades rurais visitadas pela expedição Caçadores de Nematoides, iniciativa da Vitalforce, empresa referência em bioinsumos. A descoberta evidencia ampla distribuição da espécie nas áreas avaliadas do Centro-Oeste.
Os nematoides estão entre os principais desafios fitossanitários da agricultura brasileira. Segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia, esses organismos provocam perdas próximas de R$ 65 bilhões por ano nas lavouras do país. Nesse contexto, iniciativas que aproximam o diagnóstico do produtor ganham importância para orientar decisões de manejo.
A expedição Caçadores de Nematoides percorre diferentes regiões agrícolas levando microscopia e diagnóstico diretamente às propriedades. Ao longo de 14 dias de campo, a equipe visitou 12 municípios de três estados, distribuídos em sete regiões agrícolas do Centro-Oeste.
Considerando todas as espécies do gênero Pratylenchus, a frequência observada nas amostras chegou a 91,3%. A presença de Pratylenchus brachyurus foi registrada em todas as regiões visitadas e em culturas como milho, algodão, feijão, milho tiguera, sorgo e braquiária.
Milho e algodão responderam pela maior parte das coletas e apresentaram os maiores índices de ocorrência. No milho, a espécie foi encontrada em 34 das 36 amostras analisadas, frequência de 94,4%. No algodão, o percentual foi o mesmo: 17 das 18 amostras apresentaram o nematoide. Juntas, as duas culturas responderam por mais de dois terços das amostras avaliadas durante a expedição.
As plantas daninhas também apareceram como hospedeiras dos nematoides durante a expedição. Das nove amostras coletadas, sete continham Pratylenchus brachyurus.
Também foram registrados exemplares de Meloidogyne e Helicotylenchus. Segundo os pesquisadores, esses resultados mostram que a vegetação espontânea pode manter populações de nematoides entre uma safra e outra, tornando seu manejo parte importante da estratégia de controle.
A expedição mostrou, ainda, que frequência de ocorrência e intensidade populacional nem sempre caminham juntas. Embora Pratylenchus brachyurus tenha sido a espécie mais frequente nas áreas avaliadas, as maiores populações observadas ocorreram em amostras de feijão infestadas por Meloidogyne, com registros de até 7.380 nematoides por grama de raiz. O resultado reforça que espécies menos frequentes também podem exercer elevada pressão sobre determinadas culturas, destacando a importância do diagnóstico para a definição das estratégias de manejo.
Para Lucas Silva, desenvolvedor de mercado da Vitalforce e mestre em Agronomia e Proteção de Plantas, a diversidade das populações de nematoides observada durante a expedição reforça a necessidade de substituir decisões baseadas apenas em sintomas por estratégias orientadas por diagnóstico.
“Os nematoides não se distribuem de forma uniforme nem se comportam da mesma maneira em todas as áreas. Cada espécie responde ao sistema de produção, ao histórico da propriedade e às culturas implantadas. Por isso, o diagnóstico é o ponto de partida para qualquer decisão de manejo. Sem essa identificação, o produtor corre o risco de adotar estratégias genéricas para problemas completamente diferentes. Não é possível manejar aquilo que não se conhece com precisão”, afirma.
Na maior parte das propriedades rurais, a identificação de nematoides depende da coleta de amostras e do envio para laboratórios especializados, processo que pode levar dias até a emissão do resultado. No projeto Caçadores de Nematoides, esse diagnóstico é realizado na própria fazenda, por meio de microscopia e avaliação conduzida por especialistas, permitindo que o produtor visualize os organismos presentes no solo e receba orientações técnicas ainda durante a visita.
Para Angélica Calandrelli, doutora em Agronomia e especialista em nematologia, os resultados reforçam a necessidade de olhar para o sistema de produção de forma integrada. “Encontrar Pratylenchus brachyurus em diferentes culturas e também em plantas daninhas mostra que o nematoide permanece ativo no sistema de produção. O controle não deve considerar apenas a cultura comercial, mas também a sucessão de culturas, a vegetação presente na área e o histórico da propriedade. É esse conjunto de informações que permite construir um manejo mais eficiente ao longo das safras”, conclui.

