Nematoides: o inimigo invisível que impacta o rendimento do produtor
28-08-2026
Verme microscópica pode gerar prejuízos bilionários nas lavouras brasileiras; especialista da Nitro reforça a importância da diagnose precoce e do uso de bionematicidas para proteger o teto produtivo
Presentes em praticamente todas as regiões agrícolas do Brasil, os nematoides tornaram-se uma das ameaças mais complexas e onerosas para o agronegócio nacional. Por se tratar de vermes microscópicos que habitam o solo e atacam o sistema radicular das plantas, o dano muitas vezes ocorre de forma silenciosa, reduzindo drasticamente a absorção de água e nutrientes por culturas como soja, milho, algodão, feijão e cana-de-açúcar.
Estudos do setor estimam que os prejuízos causados por diferentes espécies de nematoides — com destaque para o nematoide-das-lesões-radiculares (Pratylenchus brachyurus), nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.) e o nematoide-do-cisto (Heterodera glycines) — ultrapassam dezenas de bilhões de reais a cada safra no país. O grande desafio reside na identificação do problema, já que, acima do solo, os sintomas costumam ser confundidos com deficiência nutricional ou estresse hídrico, manifestando-se em forma de amarelecimento, porte reduzido das plantas e manchas irregulares na lavoura, conhecidas como reboleiras.
“O nematoide é um desafio de manejo porque, quando o produtor percebe os sinais visíveis na parte aérea da lavoura, a raiz já está severamente comprometida. Não se trata apenas de perder sacas na safra atual, mas de degradar o potencial produtivo das lavouras ao longo dos anos. Por isso, a mudança de postura para um manejo preventivo e integrado é urgente”, destaca Cibele Medeiros, Mestre em Agronomia e Gerente de Portfólio Biológico da Nitro.
Para conter a disseminação do problema e mitigar as perdas na colheita, especialistas reforçam a necessidade de adotar o Manejo Integrado de Nematoides (MIN), combinando diferentes práticas ao longo do ano. A base desse processo começa com a análise nematológica com amostras de solo e raízes. Por meio do diagnóstico laboratorial, é possível identificar as espécies presentes no talhão e mensurar a densidade populacional, dados fundamentais para orientar as tomadas de decisão.
A partir desse mapeamento, a utilização do controle biológico tem se consolidado como uma das ferramentas mais eficientes no campo. Bionematicidas à base de microrganismos, como bactérias do gênero Bacillus e fungos nematófagos, atuam diretamente na proteção do sistema radicular. Esses agentes colonizam a raiz, parasitam ovos e juvenis da praga e criam uma barreira física e bioquímica contra o ataque.
O planejamento do manejo deve ser complementado pela rotação de culturas utilizando plantas de cobertura não hospedeiras, a exemplo de determinadas espécies de crotalárias e braquiárias, que ajudam a reduzir gradativamente a população de diferentes espécies de nematoides no solo durante a entressafra. Soma-se a isso a escolha de cultivares com fator de multiplicação baixo para nematoides e a adoção de medidas rigorosas de higienização do maquinário agrícola, evitando que tratores e implementos transportem solo contaminado para áreas limpas.
Com a evolução e consolidação das tecnologias de origem biológica, o controle de patógenos de solo ganhou alternativas sustentáveis e eficientes, que se integram aos sistemas modernos de produção e auxiliam na preservação da microbiota do solo.
“Os bionematicidas deixaram de ser uma alternativa complementar para se tornarem protagonistas na construção da saúde do solo. Eles não apenas combatem o nematoide em diferentes fases do seu ciclo de vida, mas também estimulam o enraizamento e promovem um ambiente microbiológico equilibrado. Isso garante que a planta expresse seu máximo potencial genético desde o arranque inicial”, conclui a especialista.

