Novas bases da Agricultura 4.0 ganham perspectiva internacional em obra organizada por pesquisadores da Embrapa e da Grécia
01-10-2026
Como transformar os avanços tecnológicos em benefícios efetivos para agricultores e para a sociedade? A questão orienta o livro Agricultura 4.0: rumo a um novo ecossistema agroalimentar, publicado pela Springer Nature,em setembro deste ano. A obra reúne pesquisadores de diferentes países e áreas do conhecimento para discutir os fundamentos, os desafios e as perspectivas da transformação digital da agricultura.
A publicação articula dimensões tecnológicas, sociais, econômicas, institucionais e ambientais da Agricultura 4.0. Entre os temas estão barreiras à adoção de tecnologias, mudanças nas condições de trabalho, saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras, bem como a ampliação da participação das mulheres e a inclusão digital com respeito aos conhecimentos locais.
A organização é de Franco da Silveira e Jayme Barbedo, pesquisadores da Embrapa Agricultura Digital, em parceria com Chrysanthi Charatsari, da Universidade Aristóteles de Tessalônica, e Evagelos Lioutas, da Universidade Helênica Internacional, ambas na Grécia.
Além da tecnologia - “A maior parte da literatura e das discussões se concentra na tecnologia em si e não em vários outros aspectos, como as barreiras de adoção, tão importantes quanto a própria tecnologia”, argumenta Barbedo. O pesquisador destaca a importância da incorporação de cientistas sociais às iniciativas de inclusão digital, contribuindo para compreender as condições em que as tecnologias são adotadas e utilizadas.
A obra propõe ampliar a compreensão sobre os elementos necessários à construção de um ecossistema agroalimentar que transforme inovação em desenvolvimento inclusivo e sustentável, diz Silveira. “A Agricultura 4.0 envolve mudanças na forma como agricultores, pesquisadores, empresas, instituições públicas e demais atores se relacionam, produzem conhecimento e tomam decisões. Compreender essas relações é essencial para que as tecnologias cumpram seu papel” , afirma.
Entre os participantes da coletânea estão Laurens Klerkx, da Universidade de Talca, no Chile; David Christian Rose, da Universidade Harper Adams, no Reino Unido; e Carlos Parra-López, do Instituto de Pesquisa e Formação Agrária e Pesqueira da Andaluzia (IFAPA), na Espanha. A obra também conta com contribuições de Silvia Massruhá e de outros pesquisadores da Embrapa.
Da transformação do trabalho aos impactos da digitalização - A coletânea está dividida em três partes com temas como o apoio da IA na tomada de decisão; a construção da resiliência pela integração de inovações sociais, tecnológicas e econômicas; as condições de trabalho na era da Agricultura 4.0. e saúde mental de agricultores.
Na primeira parte da publicação os autores abordam a transformação estrutural do ecossistema agroalimentar. Rose escreve sobre a saúde mental dos agricultores na quarta revolução agrícola, entre outros temas. Na segunda parte, é debatida a estruturação do novo ecossistema no setor agroalimentar a partir de artigos sobre modelos de negócio de startups de agFoodTechs em estudo de Klerkx sobre o caso do Chile.
Massruhá destaca lições do setor privado e um estudo de caso do CGIAR na gestão de portfólio de inovação. Há, ainda, o debate sobre conhecimento e aprendizagem em múltiplos contextos, diferenças regionais e o panorama científico. Na terceira e última parte da coletânea são abordados a consolidação e os impactos sistêmicos das tecnologias digitais; desenvolvimento sustentável na agricultura e o papel das tecnologias verdes no processamento sustentável de alimentos.
Semear Digital - A publicação contou com contribuições significativas de experiências que estão sendo vivenciadas desde 2023 por integrantes da equipe transdisciplinar e interinstitucional do Centro de Ciências para o Desenvolvimento em Agricultura Digital - Semear Digital, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e coordenado pela Embrapa Agricultura Digital.
O projeto de inclusão socioprodutiva e digital da Embrapa e parceirosexplora a transformação digital em seu potencial de reduzir assimetrias de mercado e tem apoiado a chegada de tecnologias emergentes a dez municípios brasileiros, denominados Distritos Agrotecnológicos (DATs) e distribuídos pelos biomas brasileiros.
A metodologia de atuação do Semear Digital está sendo adaptada por programas do governo brasileiro e às realidades da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai no âmbito do Programa de Cooperação Internacional para a Agricultura do Cone Sul (Procisur).
Articulação internacional - A publicação também contribuiu para ampliar as articulações internacionais em torno da agricultura digital. Carlos Parra-López, do IFAPA, convidou Silveira e Barbedo a integrar a proposta de criação da International Society for Digital and Advanced Agriculture (ISDAA), iniciativa científica internacional que se encontra em fase de estruturação.
Acesse a publicação: Agriculture 4.0: Towards a New Agri-Food Ecosystem

