O papel do agro na crise do petróleo de 2026
11-05-2026
Mercados globais de energia vivem um momento de incerteza. Com o fechamento do Estreito de Ormuz, o preço do barril de petróleo ultrapassou os US$ 100, acendendo alertas inflacionários no mundo.
Antônio Pitangui de Salvo e Mário Campos*
Apesar dos impactos humanitários e econômicos de um conflito dessa proporção, o Brasil mantém o abastecimento de sua frota. Em momentos de crise, os biocombustíveis se consolidam como um pilar de soberania e desenvolvimento, resultado de uma política iniciada há meio século com o Proálcool.
Álcool
As bases da segurança energética brasileira remetem a 14 de novembro de 1975, quando, após o primeiro choque do petróleo, foi criado o Programa Nacional do Álcool para reduzir a dependência externa. Em 2026, o cenário se repete, mas com um “escudo” muito mais robusto.
Da produção inicial de 550 milhões de litros na década de 1970, o país avançou para mais de 37 bilhões de litros. Essa escala ajuda a amortecer os impactos das altas internacionais no mercado interno, protegendo a sociedade como poucos países conseguem em períodos de guerra.
O setor bioenergético vai além da economia: é instrumento de soberania e sustentabilidade. Em 50 anos, evitou a importação de bilhões de barris de petróleo e diversificou a matriz energética dentro das próprias usinas. Além do etanol, o setor sucroenergético tornou-se relevante na geração de eletricidade.
Com o uso do bagaço da cana, as usinas produzem vapor que aciona turbinas, garantindo autossuficiência energética e gerando excedente para a rede nacional – suficiente para abastecer milhões de residências com energia limpa.
Ambiente
No campo ambiental, a mecanização da colheita substituiu as queimadas, reduzindo a poluição e doenças respiratórias. O etanol também se consolidou como alternativa menos poluente que a gasolina, com menor emissão de gases de efeito estufa.
Com 85% da frota leve composta por veículos flex, o consumidor conta com uma alternativa segura e mais limpa. Esse modelo tornou o Brasil referência internacional em segurança energética e descarbonização.
O legado do Proálcool transformou o país em um laboratório de soluções sustentáveis. Iniciativas como o programa Movido pelo Agro – Etanol, do Sistema Faemg Senar em parceria com a Siamig, reforçam essa cultura ao incentivar o uso de combustível nacional e renovável, capaz de reduzir em até 90% as emissões em comparação aos combustíveis fósseis.
Proteção econômica
Um dos diferenciais dessa iniciativa é a calculadora disponível no site do programa, que funciona como uma ferramenta de tomada de decisão consciente. Ela permite ao consumidor verificar não apenas qual combustível é o mais viável economicamente no momento do abastecimento, mas também o ganho ambiental real em termos de CO2 que deixa de ser emitido.
Assim, o setor de agroenergia se reafirma como um importante mecanismo de proteção econômica diante de crises externas, reduzindo a vulnerabilidade do Brasil a choques no mercado internacional de energia e demonstrando que a soberania no século XXI passa pela adoção de soluções sustentáveis.
(*) Antonio Pitangui de Salvo é produtor rural, engenheiro agrônomo e presidente do Sistema Faemg Senar; (**) e Mário Campos é presidente da Siamig Bioenergia e da Bioenergia Brasil
Fonte: Sistema FAEMG SENAR e SIAMIG Bioenergia

