Outono mais quente e chuva incerta elevam risco para lavouras
06-03-2026
Boletim TempoCampo aponta alerta para cana, milho safrinha e café
O boletim de março do Sistema TempoCampo indica aumento da incerteza climática para o trimestre entre março e maio no Brasil. A análise aponta temperaturas acima da média e divergência entre modelos meteorológicos para o volume de chuvas, cenário que pode ampliar o risco de estresse hídrico em culturas relevantes do agronegócio.
De acordo com o professor Fábio Marim, do Departamento de Engenharia da Esalq, os últimos meses registraram chuvas volumosas no Sudeste, Centro-Oeste e parte da região Norte, o que contribuiu para melhorar as condições de umidade do solo nessas áreas. Por outro lado, regiões como o Rio Grande do Sul e partes do Nordeste apresentaram déficit hídrico. “A chuva foi bastante volumosa no Sudeste e no Centro-Oeste e isso melhorou a condição de umidade do solo”, afirmou.
Para a primeira quinzena de março, modelos climáticos indicam volumes ainda relevantes de chuva em áreas do Norte e do Centro-Oeste. Já no Sudeste os acumulados previstos são mais moderados, em torno de 70 mm a 80 mm, enquanto o sul do Rio Grande do Sul segue com previsão de precipitação abaixo da média.
A projeção para o restante de março apresenta divergência entre modelos meteorológicos. Segundo Marim, parte das simulações indica chuvas próximas ou acima da média no Brasil central e no Sudeste, enquanto outro conjunto aponta redução significativa de precipitações. “Março está bastante em aberto porque os modelos que antes convergiam passaram a mostrar cenários diferentes”, disse.
Para abril, os principais modelos climáticos convergem para um cenário mais seco no Brasil central, Sudeste e Sul. A tendência preocupa culturas como milho safrinha, pastagens e lavouras perenes, incluindo café, citros e cana-de-açúcar, que dependem das chuvas do outono para sustentar o desenvolvimento antes do período seco.
No caso das temperaturas, a tendência é mais clara. O trimestre deve registrar valores entre 1 °C e 2 °C acima da média histórica em grande parte do país. “Praticamente não temos incerteza quanto à temperatura. A expectativa é de um outono mais quente”, afirmou.
O boletim também destaca a possibilidade de formação de um El Niño forte no segundo semestre de 2026. As projeções do CPC indicam probabilidade superior a 60% para o fenômeno entre setembro e novembro. Segundo o pesquisador, um evento mais intenso tende a provocar mudanças relevantes na distribuição das chuvas no país e pode afetar culturas como café, citros e cana-de-açúcar na safra 2026/27.
Fonte: Canaoeste

