Petróleo em alta impulsiona etanol e pressiona diesel no Brasil
07-05-2026

FGV aponta queda na oferta global e avanço dos biocombustíveis

Andréia Vital

A escalada recente do petróleo no mercado internacional, em meio às tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã, reforça a competitividade do etanol e amplia o uso de biocombustíveis no curto prazo. Medidas adotadas por países como Estados Unidos, Argentina e Indonésia indicam avanço na mistura de combustíveis renováveis, em resposta ao encarecimento dos fósseis. As informações são do Informe de Óleo & Gás e Biocombustíveis da FGV Energia de março de 2026.

A restrição logística e os ataques a infraestruturas energéticas no Oriente Médio impactam diretamente a oferta global. A produção de petróleo pode recuar 1,5 milhão de barris por dia em 2026, para 104,7 milhões de barris diários, enquanto a demanda segue estável entre 104,1 e 105,1 milhões de barris por dia, segundo o boletim.

No mercado de gás natural, o cenário também é de pressão. O índice europeu Dutch TTF avançou 60,7% em março, atingindo US$ 18/MMBTU, maior patamar desde janeiro de 2023, refletindo restrições no fornecimento de GNL, especialmente do Catar.

No Brasil, a volatilidade internacional se traduziu em alta nos combustíveis. A Petrobras reajustou o Diesel A em R$ 0,38 por litro a partir de 14 de março. Em resposta ao avanço dos preços, o governo federal adotou medidas emergenciais, como a suspensão de PIS/Cofins, subvenções de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores e incentivos adicionais que chegam a R$ 1,20 por litro para distribuidores, além de uma subvenção extra de R$ 0,80 por litro para produtores.

O boletim também aponta que o cenário internacional favorece o etanol. A liberação do E15 nos Estados Unidos, a flexibilização da mistura na Argentina e o avanço de políticas na Indonésia reforçam a tendência de maior uso de renováveis diante da instabilidade no mercado global de energia.