Porto de São Sebastião completa 71 anos com retomada e melhor resultado em cinco anos
26-01-2026

Receita recorde, diversificação de cargas e novos acessos rodoviários recolocam o terminal na estratégia logística paulista

Reconhecido pela profundidade natural de seu canal, o Porto de São Sebastião completa 71 anos em um contexto de retomada operacional, crescimento da movimentação de cargas e fortalecimento de sua relevância para a logística do Estado de São Paulo.

O terminal encerrou 2025 com receita de R$ 75 milhões, alta de 29 por cento em relação a 2024, alcançando o melhor desempenho financeiro e operacional dos últimos cinco anos. O resultado marca uma inflexão após um período prolongado de estagnação e reposiciona o porto no sistema logístico paulista.

Inaugurado em janeiro de 1955 como alternativa estratégica ao eixo Santos capital, o porto atingiu operação plena em 1963. Desde então, passou por ciclos de expansão, readequações e restrições operacionais. No atual ciclo, investimentos em infraestrutura, ganhos logísticos e a diversificação de cargas sustentam a recuperação da atividade.

Entre os principais diferenciais do Porto de São Sebastião está o canal natural profundo, com até 42 metros, que permite a atracação de navios de grande calado sem a necessidade de dragagens frequentes, característica incomum no sistema portuário brasileiro.

A logística de acesso também avançou com a entrada em operação do Contorno Sul da Rodovia dos Tamoios. O tempo médio de deslocamento entre Caraguatatuba e o porto foi reduzido de cerca de 45 minutos para 16 minutos, mitigando gargalos históricos no escoamento de cargas no Litoral Norte.

Em 2024 e 2025, a movimentação de cargas superou em mais de 50 por cento a média anual registrada até 2023. No biênio, foram movimentadas 2,96 milhões de toneladas, sendo 1,53 milhão em 2024 e 1,44 milhão em 2025, volume superior ao observado em períodos equivalentes dos quatro anos anteriores.

Em 2025, as principais cargas foram açúcar, com 473,9 mil toneladas, barrilha, com 380,9 mil toneladas, malte e cevada, com 209 mil toneladas, e coque de petróleo, com 105 mil toneladas. No mesmo ano, o porto retomou a movimentação de trigo após cerca de 25 anos.

A administração do porto é realizada pela Companhia Docas de São Sebastião, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Governo de São Paulo. A atual gestão adotou medidas de reorganização administrativa com foco em previsibilidade operacional, eficiência logística e reinvestimento da receita.

Para o segundo semestre de 2026, está previsto o leilão de um terminal multipropósito conduzido pelo governo federal. O projeto prevê R$ 2,5 bilhões em investimentos privados em uma área de 426 mil metros quadrados, com a construção de um píer e dois novos berços de atracação. A ampliação pode elevar em até 187 por cento a capacidade operacional, com potencial para movimentar 4,3 milhões de toneladas de granéis por ano, além de 1,3 milhão de contêineres.

Como parte da preparação para o aumento da movimentação, o porto colocou em operação dois pátios de triagem com cerca de 300 vagas para caminhões, com impacto na organização do fluxo logístico e na redução do trânsito no entorno urbano.

Na área ambiental, o terminal obteve 96,31 pontos no Índice de Desempenho Ambiental da Antaq e foi reconhecido no Prêmio Antaq na categoria Desenvolvimento Ambiental. Também registrou premiações relacionadas ao desempenho ESG e ao crescimento da movimentação de cargas entre os portos públicos brasileiros.