Preço do açúcar cai quase 2% na bolsa de Nova York
23-11-2023

Economia chinesa, chuvas nas regiões produtoras e menor preço da gasolina afetaram cotações do açúcar — Foto: Thinkstock
Economia chinesa, chuvas nas regiões produtoras e menor preço da gasolina afetaram cotações do açúcar — Foto: Thinkstock

Café avançou na sessão e suco de laranja atingiu novo patamar recorde no pregão

Por Paulo Santos — São Paulo

Entre as commodities agrícolas negociadas na bolsa de Nova York, o açúcar foi o destaque nas variações diárias. Nesta quarta-feira (22/11), o contrato para março de 2024, o mais negociado, fechou o dia em queda de 1,91%, a 27,22 centavos de dólar por libra-peso.

Na avaliação de Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado, a soma de três fatores puxou a queda no fechamento de hoje. O primeiro deles é o pessimismo com os rumos da economia chinesa.

“A expectativa é de que a China não irá crescer tanto quanto era esperado, apesar dos estímulos fiscais. Isso cria um sentimento de aversão ao risco, que pressiona todas as commodities no mercado externo, entre elas, o açúcar”, destaca o analista.

Também foi negativo para o produto a indicação de chuvas em áreas produtoras do Centro-Sul, que podem possibilitar uma colheita muito maior que a deste ciclo, segundo Muruci.

Por fim, acrescenta o analista, o mercado do açúcar vive a expectativa de uma redução nos preços da gasolina no Brasil. “O recuo da gasolina favorece também a queda do etanol. Com o biocombustível mais barato, as usinas tendem a aumentar a oferta de açúcar no mercado”, lembra.

Muruci também avalia que todos esses fatos se misturam com as projeções de quebra para as safras na Índia e Tailândia, deixando as cotações na bolsa lateralizadas, e sem espaço para grandes variações, podendo oscilar entre 27,30 e 27,60 centavos de dólar por libra-peso.

Café

A volatilidade segue constante nos negócios do café em Nova York. Os contratos do arábica para março do ano que vem subiram 0,30% na sessão desta quarta, para US$ 1,6905 por libra-peso. Ontem, os preços caíram 1,5%.

Enquanto os fundamentos de oferta e demanda permanecem estáveis, os investidores pautam suas negociações em cima dos prognósticos de clima no Brasil, que neste momento está mais favorável em relação às duas últimas semanas, quando uma onda de calor atingiu grande parte do país.

Em boletim, Eduardo Carvalhes, analista especializado no mercado de café, disse que o avanço de uma frente fria deixou o tempo instável nas principais áreas produtoras da metade Norte do Brasil.

“As instabilidade se propagam em Minas Gerais, Espírito Santo, interior do Centro-Oeste e áreas produtoras de Rondônia. (...) Mas as chuvas não serão homogêneas, assim não devem garantir o aumento da umidade no solo nessas localidades”, destaca o analista.

Cacau

Após baterem no fechamento de ontem os maiores valores em 46 anos na bolsa de Nova York, os preços do cacau perderam força. Os lotes para março do ano que vem caíram 0,83%, a US$ 4.084 por tonelada.

Apesar do recuo, a oferta restrita de cacau é o fato mais importante para a formação de preço atualmente. As entregas do produto caíram 30% na Costa do Marfim nesta safra 2023/24, cenário que pode resultar em novas altas históricas no curto prazo.

Suco de laranja e algodão

No mercado de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ na sigla em inglês) os lotes que vencem em janeiro fecharam a sessão em alta de 1,18%, a US$ 4,2070 por libra-peso.

Com o fechamento de hoje, a cotação do suco bateu um novo recorde, e segue apoiada pela oferta de estoques restrita, que já traz impactos até mesmo para a demanda. Já no mercado de algodão, os lotes para março subiram 0,26%, cotados a 80,90 centavos de dólar por libra-peso.

Fonte: Globo Rural