Preços do açúcar e do etanol sobem com fim da safra de cana e alta do petróleo
24-03-2026

Em alguns Estados, há registros pontuais de usinas que já iniciaram a moagem da nova temporada de cana-de-açúcar — Foto: José Roberto Miranda/Embrapa
Em alguns Estados, há registros pontuais de usinas que já iniciaram a moagem da nova temporada de cana-de-açúcar — Foto: José Roberto Miranda/Embrapa

Conflito no Oriente Médio tem elevado cotações internacionais do adoçante e do biocombustível

Por Marcelo Beledeli — Porto Alegre

A poucos dias do encerramento oficial da safra 2025/26 de cana na região Centro-Sul, os preços do açúcar e do etanol subiram no mercado físico do Estado de São Paulo na última semana, informa o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

As cotações do açúcar cristal branco reagiram, com o indicador Cepea/Esalq voltando a superar os R$ 100 a saca de 50 quilos. Nesta segunda-feira (23/3), o preço médio estava em R$ 100,77 a saca, uma alta acumulada de 2,21% desde o início de março.

No mercado externo, as cotações do açúcar demerara avançaram com maior intensidade, mantendo, pela segunda semana consecutiva, a exportação do cristal mais vantajosa que a venda no mercado físico paulista, cenário que não era observado desde julho do ano passado.

Na Bolsa de Nova York, os preços alcançaram os maiores patamares desde outubro de 2025, influenciados pelo conflito no Oriente Médio, que tem elevado os patamares de negociação do petróleo - as cotações são as maiores em três anos.

Segundo o Cepea, no longo prazo, as projeções de superávit na produção mundial de açúcar na safra 2026/27 tendem a conter avanços mais expressivos nos preços externos. Embora a margem de excedente venha diminuindo, a expectativa de produção robusta no Brasil, na Índia e na Tailândia continua sendo de uma oferta acima do consumo.

Já as cotações do etanol hidratado permaneceram firmes. O indicador Cepea/Esalq registrou o preço médio de R$ 2,9609 o litro entre 16 e 20 de março, uma alta de 0,58% em relação à semana anterior.

De acordo com o Cepea, as usinas já estão finalizando seus estoques ou apenas cumprindo contratos previamente negociados, o que contribui para a redução da oferta no mercado paulista. Do lado da demanda, compradores seguem na expectativa pelo início da safra 2026/27 e pelo comportamento dos preços.

Segundo o Cepea, caso o processamento comece conforme o programado, agentes já projetam aumento da oferta a partir de abril. Em alguns Estados, inclusive em São Paulo, há registros pontuais de usinas que já iniciaram a moagem da nova temporada.

Neste momento, a atenção do setor também se volta às condições climáticas nas principais regiões produtoras de cana-de-açúcar, bem como ao comportamento do petróleo, que tem gerado incertezas entre os agentes do setor e pode influenciar as decisões de produção de biocombustíveis.

Fonte: Globo Rural