Preços do açúcar em baixa freiam investimentos na cana de açúcar
26-01-2026
Cana de açúcar enfrenta desinvestimento com preços do açúcar em queda e custos de produção agrícola elevados.
A cana de açúcar começa a dar sinais de alerta no campo brasileiro.
O setor enfrenta redução de investimentos, decisão tomada por produtores de cana diante da combinação de preços do açúcar em níveis baixos, custos de produção agrícola elevados e incertezas sobre a rentabilidade das próximas safras.
O cenário foi confirmado nesta quinta-feira (22) pela Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana), que representa milhares de agricultores nas principais regiões produtoras do país.
A entidade reúne 35 associações e cerca de 12 mil produtores, muitos deles já ajustando o orçamento no campo.
Segundo o presidente-executivo da Orplana, José Guilherme Nogueira, o movimento ocorre como resposta direta à perda de margem financeira da atividade.
“Estamos observando uma redução nos investimentos em plantações de cana-de-açúcar, principalmente devido ao aumento do custo de produção e à queda na receita líquida”, disse ele.
Produtores de cana cortam gastos para enfrentar custos de produção agrícola
Na prática, o desinvestimento já é visível.
Muitos produtores de cana estão deixando de aplicar fertilizantes, defensivos e outros insumos essenciais para o desenvolvimento da lavoura.
Essas decisões, embora reduzam despesas no curto prazo, podem comprometer a produtividade da safra nos próximos ciclos.
De acordo com Nogueira, o produtor está sendo forçado a escolher entre manter o nível tecnológico da lavoura ou preservar o caixa.
Assim, o impacto vai além do campo individual e começa a redesenhar a dinâmica do setor sucroenergético como um todo.
Preços do açúcar próximos de mínimas históricas pressionam o setor
O cenário internacional ajuda a explicar o movimento.
A elevada produtividade em grandes produtores globais, como Brasil e Índia, somada à desaceleração do consumo em alguns mercados, levou os preços do açúcar a patamares próximos das mínimas dos últimos cinco anos.
Enquanto isso, os custos de produção agrícola seguem pressionados por fatores como fertilizantes caros, combustíveis, mão de obra e logística.
Portanto, mesmo com volumes elevados, a rentabilidade do produtor não acompanha o crescimento da oferta.
Risco de migração para outras culturas preocupa usinas
Caso os preços do açúcar permaneçam baixos, a tendência é de mudança estrutural.
Segundo a Orplana, produtores podem deixar de renovar contratos com usinas e optar por culturas alternativas, como soja e milho, que oferecem maior previsibilidade financeira em determinados momentos do mercado.
Essa possível migração preocupa a indústria, já que reduz a disponibilidade de matéria-prima para moagem.
Embora os efeitos imediatos sejam limitados, o impacto tende a aparecer de forma mais clara nos próximos ciclos.
Impacto na safra deve ser sentido a partir de 2027/28
No curto prazo, a safra 2026/27 não deve sofrer grandes alterações. Isso porque o ciclo produtivo da cana de açúcar é longo e as decisões atuais ainda não se refletem plenamente no campo.
No entanto, a Orplana alerta que o reflexo mais significativo deve surgir a partir da safra seguinte.
“Tudo indica, dado o tamanho da área (plantada) e o que está acontecendo agora, que os produtores deixarão de investir para que isso se efetive até 2028”, afirmou Nogueira.
Ou seja, o risco maior está no médio prazo, com possível queda no volume de cana processada e menor produção de açúcar e etanol.
Dados da safra atual ainda mostram números robustos
Apesar do alerta, os números da safra atual seguem elevados. Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) indicam que 600,4 milhões de toneladas de cana de açúcar foram moídas até a segunda quinzena de dezembro.
A produção de açúcar alcançou 40,2 milhões de toneladas no período.
A Orplana, inclusive, projeta que a próxima safra possa ser levemente maior ou semelhante à atual, dependendo das condições climáticas. Ainda assim, o alerta permanece.
“Para a próxima temporada 2026/27, acreditamos que será uma safra um pouco maior do que a atual, ou muito semelhante, dependendo das chuvas, porque a safra ainda está sendo construída”, aponta o executivo.
Setor entra em fase decisiva para o futuro da cana de açúcar
Diante desse cenário, o setor sucroenergético entra em um momento decisivo.
A continuidade dos investimentos dependerá diretamente da recuperação dos preços do açúcar e de uma melhora no equilíbrio entre receita e custos de produção agrícola.
Caso contrário, a cana de açúcar pode perder espaço no campo brasileiro, afetando não apenas os produtores de cana, mas toda a cadeia que depende da atividade.
Fonte: CPG
Do site: SCA Brasil

