Preços do açúcar podem seguir sustentados até o fim do ano
17-10-2023

Mercado segue observando a situação de importantes produtores de cana-de-açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia, e a movimentação dos fundos nas bolsas — Foto: Wenderson Araujo/CNA
Mercado segue observando a situação de importantes produtores de cana-de-açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia, e a movimentação dos fundos nas bolsas — Foto: Wenderson Araujo/CNA

Negociações de fundos ganharam influência na valorização das cotações na bolsa

Por Raphael Salomão — São Paulo

Os preços internacionais do açúcar podem se manter sustentados pelo menos até o fim do ano, avalia o consultor Arnaldo Correa, da Archer Consulting. Em boletim de mercado divulgado no fim de semana, ele diz que o mercado segue observando a situação de importantes produtores, como Brasil, Índia e Tailândia, e a movimentação dos fundos nas bolsas de commodities.

Citando dados da Commodity Futures Trading Comission (CFTC), órgão que regula os mercados futuros nos Estados Unidos, Correa observa que os fundos aumentaram a posição comprada em Nova York, reforçando sua aposta em uma alta do açúcar. E tiveram influência na valorização das cotações na bolsa.

“Os fundos especulativos conseguiram impulsionar as cotações em Nova York aparentemente com um volume de negociação relativamente baixo”, pontua o consultor.

Na sexta-feira (13/10), o contrato de açúcar para março de 2024 em Nova York subiu 2,58% e fechou a 27,03 centavos de dólar por libra-peso. Os lotes para maio do ano que vem ajustaram para 25,74 centavos de dólar por libra-peso, valorização de 2,14%.

“Os preços ainda podem ser sustentados até o final deste ano, mas é importante observar que, quanto mais artificialmente o mercado se elevar, mais rápida pode ser a queda”, pontua.

No boletim, Correa ressalta que o Brasil está produzindo mais açúcar na safra 2023/24, que começou em 1º de abril. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica), as usinas do Centro-sul fabricaram 32,6 milhões de toneladas até 1º de outubro, volume 23,7% superior ao do mesmo período na safra passada. A representatividade da commodity no mix de produção passou de 45,46% para 49,54% de um ano para outro.

“Se esse ritmo for mantido, é possível que, ao final da safra, alcancemos uma produção total de cana superior a 630 milhões de toneladas. No entanto, a capacidade de processar todo esse volume é uma questão que merece atenção”, diz ele.

Soma-se a isso as posições de Índia e Tailândia, concorrentes do Brasil no mercado global de açúcar. A depender do quadro de oferta e demanda e de decisões de governo, pode haver pressão sobre os preços.

Segundo Correa, apesar dos problemas climáticos prejudicaram a produção tailandesa, o país começa a safra 2023/24 com estoques estimados em 8 milhões de toneladas. E deve terminar com 3,9 milhões. É uma quantidade que ele avalia como significativa e que pode ter alguma influência no mercado internacional.

E, caso os indianos confirmem a intenção de não exportar, o estoque final do país poderia ser de 11,8 milhões de toneladas, 24% a mais que os estoques de passagem da safra 2021/22 para a 2022/23. Este volume, calcula o consultor, equivale a 20 semanas de consumo interno. No entanto, é preciso levar em conta que o país pode aumentar a produção de etanol.

“Analisando os números de forma imparcial, a oferta de açúcar, mesmo que enfrente alguns contratempos por parte de outros grandes produtores, não parece estar em risco iminente. O que está gerando preocupações é a situação da logística portuária”, diz. “Essas questões, quando combinadas, estão pressionando as usinas que não têm espaço para armazenar o açúcar e podem optar por direcionar mais cana para etanol”, pontua.

Outro ponto de atenção é o confronto entre Israel e o Hamas, no Oriente Médio. Correa avalia que os preços do petróleo no mercado internacional ainda podem não ter refletido os riscos associados à situação. A situação, segundo ele, é “volátil” e, a depender dos desdobramentos, o mercado pode ter surpresas e reversão de expectativas.

Fonte: Globo Rural