Preços do açúcar recuam no mercado interno e em Nova York
21-01-2026

Oferta concentrada em açúcar de menor coloração pressiona cotações enquanto etanol registra leve alta na entressafra

Por Andréia Vital

O mercado físico de açúcar no Brasil registrou preços levemente mais baixos na segunda semana de janeiro, em movimento associado ao padrão de oferta adotado pelas usinas. Segundo análise semanal da Safras & Mercado, a comercialização esteve concentrada em açúcar de maior coloração, entre 200 e 300 icumsa, produto de menor valor agregado, o que limitou os preços e reduziu o ritmo dos negócios.

De acordo com o consultor Mauricio Muruci, a preferência por esse tipo de açúcar acaba restringindo o interesse dos compradores e mantendo as cotações sob pressão no mercado interno, mesmo em um período de menor disponibilidade de cana.

No mercado internacional, as cotações do açúcar bruto em Nova York também seguiram pressionadas ao longo da semana. Muruci avalia que os fundamentos ligados à produção indiana continuam pesando sobre os preços. Dados da Indian Sugar Mills Association indicam que, entre outubro e janeiro, a produção do país está 21% acima do volume registrado no mesmo intervalo do ciclo anterior, o que tem levado agentes internacionais a adotar posições mais cautelosas.

Os contratos iniciaram a semana na faixa de 14,84 centavos de dólar por libra-peso e encerraram o período em torno de 14,57 centavos, acumulando queda de 1,8%.

No mercado de etanol, a segunda semana de janeiro foi marcada por preços ligeiramente mais elevados nas negociações entre usinas e distribuidoras. As unidades produtoras demonstraram maior conforto para reajustar as pedidas, sustentadas por estoques ainda reduzidos em meio ao pico da entressafra de cana no Centro-Sul.

Além da restrição de oferta, a demanda das distribuidoras permaneceu ativa, impulsionada pela recomposição dos estoques intermediários após o escoamento observado nos feriados de Natal e Ano Novo. Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, o etanol hidratado iniciou a semana a R$ 3,65 por litro e encerrou a R$ 3,69, avanço de 1,1%.

As exportações brasileiras de açúcar e outros melaços apresentaram desempenho positivo em janeiro. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que a receita média diária alcançou US$ 46,433 milhões, considerando seis dias úteis no mês, enquanto o volume médio diário embarcado somou 123,411 mil toneladas.

No total, foram exportadas 740.468 toneladas de açúcar em janeiro, com receita de US$ 278,6 milhões e preço médio de US$ 376,3 por tonelada. Em relação à média diária de janeiro de 2025, houve aumento de 2,2% na receita obtida com as exportações em janeiro de 2026.

Em volume, o avanço foi mais expressivo, de 31,7% frente às 93,739 mil toneladas embarcadas diariamente em janeiro do ano passado. Já o preço médio registrou queda de 22,4% na comparação anual, ante os US$ 484,8 por tonelada observados em janeiro de 2025.