Preços do etanol e do açúcar caíram com negócios em ritmo lento
19-05-2026
Menor liquidez é comum em início de safra, com compradores cumprindo contratos previamente firmados
Por Marcelo Beledeli — Porto Alegre
Os preços do etanol e do açúcar caíram no mercado paulista na última semana, informa o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). No caso do biocombústivel, algumas usinas até buscaram manter os valores mais firmes, mas, diante da baixa demanda de algumas distribuidoras, unidades com necessidade de comercialização, seja por fluxo de caixa ou pressão de tancagem, reduziram os preços de venda.
Entre 11 e 15 de maio, o indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado registrou o preço médio de R$ 2,2209 por litro (valor sem ICMS e PIS/Cofins), uma queda semanal de 2,18%. Para o etanol anidro, a cotação foi de R$ 2,5681 o litro, recuo de 1,28% no mesmo período.
De acordo com o Cepea, distribuidoras, de modo geral, mostraram menor interesse em novas aquisições, uma vez que os volumes comprados na semana anterior foram considerados satisfatórios. Assim, muitas empresas permaneceram fora do mercado físico concentrando-se na retirada do produto já adquirido anteriormente.
Fatores climáticos podem oferecer algum suporte aos preços. A previsão de chuvas para o final desta semana pode aliviar temporariamente a pressão de tancagem enfrentada por algumas unidades produtoras, visto que pode interromper temporariamente a moagem de cana-de-açúcar. Além disso, o mercado acompanhou com atenção o anúncio da Petrobras sobre estudos para um possível reajuste nos preços da gasolina, movimento que pode contribuir para maior estabilidade no mercado de combustíveis.
Açúcar
No caso do açúcar, o mercado físico operou em ritmo reduzido ao longo da semana passada. De acordo com pesquisadores do Cepea, a menor liquidez é comum em início de safra, com compradores cumprindo contratos previamente firmados, enquanto vendedores se ajustam ao novo ciclo produtivo.
Segundo o Cepea, as negociações vêm se concentrando no produto de coloração mais escura (menor qualidade), enquanto a oferta do açúcar de melhor qualidade continua restrita. Neste contexto, as usinas vêm resistindo em aceitar preços mais baixos, o que explica a baixa liquidez. Uma recuperação mais consistente das cotações internas vai depender de sinais externos – sobretudo da valorização mais firme dos contratos negociados na Bolsa de Nova York.
Nesta segunda-feira (18/5), o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal branco registrou a cotação de R$ 94,70 a saca de 50 quilo, uma queda de 3,28% no acumulado de maio.
Fonte: Globo Rural

