Preços do etanol e do açúcar sofreram fortes quedas em abril
05-05-2026
Biocombustível registrou o valor médio mensal mais baixo em quase dois anos
Por Marcelo Beledeli — Porto Alegre
O preços do etanol hidratado e do açúcar encerraram abril, primeiro mês oficial da safra de cana-de-açúcar 2026/27, com fortes quedas, informa o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Com isso, o cenário de incerteza segue em evidência no setor sucroenegético. Segundo agentes de mercado consultados pelo Cepea, as cotações mais baixos do etanol e do açúcar colocam em alerta o desempenho da nova safra no Centro-Sul do Brasil.
No caso do etanol, entre 27 e 30 de abril, o indicador Cepea/Esalq registrou a cotação de R$ 2,3158 o litro (sem ICMS e PIS/Cofins), um recuo semanal de 5,52%. Segundo o Cepea, a média mensal do etanol atingiu o menor patamar desde junho de 2024, em termos reais (descontada a inflação). Esse recuo é reflexo do aumento da oferta, impulsionado pelo avanço da moagem que, neste ano, foi acelerada pelo baixo volume de chuvas.
Ao longo do mês, a quantidade vendida pelas usinas foi pontual e envolveu volumes pequenos, destaca o Cepea. De modo geral, distribuidoras estiveram ausentes das compras. Ainda assim, o total de etanol hidratado comercializado pelas usinas de São Paulo cresceu 75,1% no comparativo mensal e 24,8% em relação a abril do ano anterior.
Açúcar
O mercado físico de açúcar manteve baixa liquidez na última semana de abril, e os preços do cristal ficaram firmes, destaca o Cepea. Apesar da postura cautelosa dos compradores, que se mantiveram afastados das negociações na expectativa de novas quedas, os preços não recuaram conforme o esperado. Porém, no acumulado do mês, houve baixa expressiva nas cotações.
No dia 30, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal branco registrou a cotação de R$ 97,91 a saca de 50 quilos, uma queda acumulada de 7,16% em abril. Os preços também começaram maio com recuo. Nesta segunda-feira (4/5), a cotação estava em R$ 97,83 a saca, leve baixa diária de 0,08%.
Segundo o Cepea, a retração no volume negociado sinaliza que o lado vendedor está resistente à pressão de demandantes. Adicionalmente, o predomínio de açúcares mais escuros nas negociações reforça a percepção de que a safra 2026/27 ainda não atingiu seu ritmo pleno, o que limita a oferta de produto cristal de melhor qualidade no curto prazo.
Por outro lado, ainda de acordo com o Cepea, as cotações na Bolsa de Nova York apresentaram alta na semana passada e, se essa tendência se mantiver, os preços internos podem se recuperar nas próximas semanas. A alta externa esteve atrelada principalmente à elevação nos preços do petróleo, o que tem encarecido os custos de energia em escala global.
Pesquisadores do Cepea apontam que, diante da elevação nos preços do petróleo e da energia, as usinas brasileiras tendem a direcionar uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de etanol, reduzindo a oferta de açúcar.
Fonte: Globo Rural

