Prevenir incêndios é proteger vidas, comunidades e o futuro do campo
08-07-2026
Por Rafaela Shiota, gestora de Meio Ambiente na Tereos
Todos os anos, a chegada da estiagem acende um alerta no campo. Temperaturas elevadas, baixa umidade do ar e ventos intensos criam o cenário ideal para a propagação de incêndios, especialmente em regiões agrícolas de grande extensão, como as áreas de cultivo de cana-de-açúcar.
Mas falar sobre incêndios em canaviais vai muito além de proteger a produção. Estamos falando sobre preservar vidas, recursos naturais, biodiversidade, infraestrutura e a qualidade de vida das comunidades que convivem diariamente com essa realidade.
Nos últimos anos, o setor sucroenergético avançou de forma importante na prevenção. As ações mais reativas, como o combate, deram espaço a prevenção, que hoje faz parte da estratégia da operação. O uso de tecnologias como monitoramento por satélite, sensoriamento remoto e sistemas de alerta em tempo real trouxe mais agilidade para identificar focos de calor e direcionar equipes antes que uma ocorrência ganhe grandes proporções.
Os resultados desse movimento do setor já começam a aparecer. Dados do INPE mostram que o Brasil registrou 2.035 focos de incêndio em abril de 2026, uma queda de 13,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse avanço está diretamente ligado ao fortalecimento das ações preventivas e ao amadurecimento das estratégias adotadas pela cadeia produtiva. Mas a tecnologia, sozinha, não resolve o problema.
A maior parte dos incêndios ainda tem origem em ações humanas, muitas vezes provocadas por descuido ou falta de conscientização. Uma bituca de cigarro descartada na rodovia, uma queima irregular ou qualquer atitude aparentemente pequena pode causar impactos ambientais, sociais e econômicos enormes. Por isso, a prevenção precisa ser construída coletivamente.
Campanhas educativas, treinamentos constantes e o engajamento das comunidades têm papel fundamental para fortalecer a cultura de prevenção, principalmente durante os meses mais críticos da estiagem. Quando informação e conscientização chegam às pessoas, os riscos diminuem significativamente.
Outro ponto essencial é a integração entre empresas, produtores rurais, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, prefeituras e comunidades. A resposta rápida faz toda a diferença para evitar que um foco isolado se transforme em um incêndio de grandes proporções.
Na Tereos, essa atuação está apoiada em cinco pilares principais: comunicação; inspeções preventivas; capacitação; colheita antecipada; monitoramento e combate. Atualmente, a companhia monitora mais de 276 mil hectares por satélite, utiliza sistemas de alerta em tempo real e metodologias preditivas para identificar condições críticas. Além disso, mantém equipes treinadas para atuação em campo, com brigadistas, caminhões-pipa e veículos de resposta rápida.
Ainda assim, os desafios continuam crescendo. As mudanças climáticas tornam os períodos de seca mais severos e aumentam a frequência de eventos extremos. Isso exige investimento contínuo em inovação, planejamento e gestão integrada.
Prevenir incêndios é uma responsabilidade compartilhada. E quanto mais preparados estivermos hoje, mais resiliente será o setor no futuro.

