Primeiro foco de caruru-palmeri em São Paulo amplia risco em áreas com cana e grãos
11-02-2026
Planta daninha foi identificada em lavoura de soja no interior paulista e preocupa sistemas com rotação e uso compartilhado de máquinas
A confirmação do primeiro foco de Amaranthus palmeri, conhecido como caruru-palmeri ou caruru-gigante, em São Paulo elevou o nível de atenção fitossanitária no Estado. A planta daninha quarentenária foi identificada em uma área de soja na região de São José do Rio Preto, durante ação de vigilância ativa da Defesa Agropecuária, com confirmação laboratorial no início de fevereiro.
Embora a ocorrência tenha sido registrada em soja, o episódio acende um alerta também para produtores de cana-de-açúcar. Em regiões onde cana e grãos dividem espaço, seja por rotação, sucessão ou proximidade entre áreas, o risco de introdução da praga aumenta, sobretudo pelo trânsito de colhedoras, tratores e implementos entre culturas.
A área foco foi interditada para colheita, e o produtor notificado a realizar o arranquio e a incineração das plantas sob supervisão técnica. A liberação da propriedade está condicionada à eliminação total da espécie, conforme as diretrizes do Programa Nacional de Prevenção e Controle do Amaranthus palmeri, instituído pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
Dispersão rápida e custos de manejo
Considerado uma das plantas daninhas mais agressivas do mundo, o caruru-palmeri apresenta crescimento acelerado, alta eficiência no uso da água e forte capacidade competitiva por luz e nutrientes. A resistência a herbicidas de diferentes mecanismos de ação é um dos principais fatores que elevam os custos de controle, especialmente quando a infestação se estabelece.
As plantas fêmeas produzem, em média, de 200 mil a 500 mil sementes, com registros ainda mais elevados em condições favoráveis. Parte dessas sementes pode ser viável mesmo sem polinização, o que dificulta o controle e favorece a reinfestação. As sementes pequenas facilitam a dispersão por máquinas, solo, resíduos culturais e até misturas com outros materiais agrícolas.
Desde 2023, após a confirmação da praga nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, São Paulo intensificou o monitoramento em áreas de soja, milho e algodão. As vistorias ocorrem de forma preventiva, como parte da vigilância ativa, mesmo sem notificações formais.
Fonte: Canaoeste

