Produtores brasileiros de etanol podem ser os primeiros beneficiados da indústria de SAF
18-04-2024

Planta da LanzaJet deverá funcionar principalmente tendo o biocombustível de cana-de-açúcar importado do Brasil como base quando iniciar sua produção comercial

No dia 24 de janeiro, a LanzaJet inaugurou, no estado norte-americano da Geórgia, a primeira planta de etanol para combustível de aviação sustentável (SAF) do mundo. Inicialmente, informa a Bloomberg, os produtores brasileiros serão os primeiros beneficiados.

Isso porque a planta da LanzaJet deverá funcionar principalmente tendo o etanol de cana-de-açúcar importado do Brasil como base quando iniciar sua produção comercial.

Muitas das maiores usinas brasileiras já foram certificadas para produzir matéria-prima para o SAF, atendendo aos padrões americanos e internacionais.

A São Martinho espera ser a primeira a abastecer o incipiente mercado norte-americano de SAF. O grupo sucroenergético recebeu as certificações necessárias – incluindo o padrão Corsia globalmente aceito, estabelecido pelo órgão regulador da aviação das Nações Unidas, além do registro na Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA). Dessa forma, começou a produzir etanol de cana em conformidade com o SAF para exportação, disse o presidente da empresa, Fabio Venturelli, em entrevista à Bloomberg.

Para serem elegíveis sob o padrão Corsia de compensação e redução de carbono para a aviação, os players devem garantir que o biocombustível foi produzido com emissões baixas e não contribuiu para o desmatamento. Ademais, a EPA exige que os produtores provem que os volumes podem ser armazenados e transportados separadamente de outros combustíveis.

Documentos do padrão Corsia mostram que as emissões do ciclo de vida do etanol de milho dos EUA são quase três vezes maiores do que as do biocombustível de cana-de-açúcar brasileiro.

Raízen, BP Bunge Bioenergia e usinas ligadas à Copersucar obtiveram a certificação Corsia – Raízen e Copersucar também se registraram junto à EPA.

De acordo com projeção da Raízen, a produção global de SAF à base de etanol exigiria até 9 bilhões de litros por ano do biocombustível até 2030.

A planta da LanzaJet tem utilizado etanol de milho americano durante a fase de testes. Jimmy Samartzis, CEO da empresa, tem repetido que pretende usar a matéria-prima local novamente quando sua intensidade de carbono diminuir. Várias das fábricas de SAF deverão ser localizadas perto da costa do Golfo do México, no Sul dos EUA, onde as importações terão maior viabilidade econômica.

“As plantas não estão no cinturão do milho americano. Então, as portas já estão abertas para o etanol mais competitivo”, ressalta Ricardo Carvalho, diretor comercial da BP Bunge. A produção e os embarques de etanol para a fabricação de SAF da BP Bunge ainda não começaram, mas a meta é dar início ainda em 2024.

Fonte: DATAGRO