Produzir mais e melhor em tempos de crise: Michel Fernandes defende eficiência no campo e investimento com critério
27-04-2026
Em momentos de aperto de margem, a tentação de reduzir gastos é imediata. Mas, para Michel Fernandes — engenheiro agrônomo e consultor com mais de 22 anos de atuação em manejo de cana-de-açúcar — a saída não está em ‘frear’ o canavial, mas manter o investimento que sustenta a produtividade e buscar eficiência real nas operações, garantindo atravessar a crise produzindo mais e melhor.
“Crises são cíclicas — não é a primeira nem será a última. O ponto é atravessar esse período evitando cortes no lugar errado. Pessoas pensam em reduzir insumos, inseticidas ou ‘segurar’ manejos, mas isso, além de representar pouco no custo total, reduzem a produtividade. O caminho é investir com critério no canavial e buscar eficiência operacional de verdade: melhorar aplicação, reduzir desperdícios e acertar o processo (por exemplo, no manejo de plantas daninhas), porque a produtividade é o que sustenta o custo do sistema como um todo”, salienta Michel.
O consultar ressalta que o canavial ‘cobra se não for bem tratado. “Se eu retiro adubação, falho no controle de daninhas ou deixo a nutrição de lado, o efeito aparece na safra seguinte — o campo tem memória. Por isso, mesmo em crise, o produtor precisa priorizar o que mantém a lavoura em pé e ajustar o que realmente pesa: eficiência de operação, qualidade de aplicação e decisões baseadas em critério técnico.”
Em relação às soluções e práticas que contribuem a produzir mais e melhor, mesmo em um cenário desafiador, Michel observa que não existe “bala de prata”, mas existe manejo bem-feito. “Quando olho para clientes com alta produtividade, alguns pontos se repetem: canavial limpo, controle de pragas e atenção à nutrição. Manter o ambiente sem competição e com sanidade (como no manejo de cigarrinha e outras pragas-chave) faz diferença. Na nutrição, micronutrientes têm ganhado espaço por resultado consistente em campo. Em algumas estratégias, reguladores de crescimento (como o ácido giberélico) e o uso criterioso de fungicidas também entram no pacote. É um conjunto de decisões, não é bala de prata, é manejo de prata.”
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