Programa do IAC eleva segurança no uso de EPI no campo
15-04-2026

Iniciativa completa 20 anos com impacto na qualidade e certificação

O programa IAC de Qualidade de EPI na Agricultura (IAC-Quepia) completa 20 anos com avanços na segurança do trabalhador rural brasileiro aplicador de agrotóxicos. A iniciativa, coordenada pelo Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico de Campinas, será destacada durante evento em Ribeirão Preto – SP, consolidando sua trajetória na padronização e certificação de equipamentos de proteção individual no campo.

Duas décadas atrás, o uso de vestimentas protetivas agrícolas ocorria sem parâmetros técnicos consolidados ou certificações específicas. A partir do IAC-Quepia, pesquisas científicas passaram a orientar o desenvolvimento de EPI com base em normas internacionais da International Organization for Standardization, ampliando o nível de proteção dos trabalhadores expostos a produtos químicos.

Segundo o coordenador do programa, Hamilton Ramos, o modelo adotado aproximou a pesquisa das exigências normativas e do setor produtivo. A certificação conferida pelo selo do programa passou a validar produtos testados em laboratório, criando um padrão de qualidade reconhecido pela indústria.

Avanços técnicos e impacto na indústria

A estrutura do IAC-Quepia foi construída em parceria com o setor privado e com o Centro de Engenharia e Automação do IAC. Entre os resultados ao longo da trajetória, destaca-se a redução de 80% a 90% nos índices de reprovação de vestimentas agrícolas produzidas no Brasil.

Atualmente, os processos de avaliação seguem normas como a ISO 27065, referência global para vestimentas de proteção contra produtos químicos. O Brasil participa desse desenvolvimento por meio da Associação Brasileira de Normas Técnicas, contribuindo para a evolução de normas nacionais e internacionais voltadas ao setor.

O laboratório do programa, localizado em Jundiaí – SP, tornou-se referência na América Latina, com capacidade para realizar todos os testes aplicados globalmente na avaliação de EPI agrícolas. A infraestrutura foi ampliada ao longo dos anos, acompanhando o avanço tecnológico e as exigências regulatórias.

Origem e inserção internacional

O início do programa remonta ao início dos anos 2000, quando estudos sobre exposição ocupacional no campo evidenciaram a ausência de critérios técnicos para medir a eficácia das vestimentas utilizadas por trabalhadores rurais. A partir dessa lacuna, pesquisadores do IAC, fabricantes de EPI e entidades setoriais estruturaram a base técnica que originou o IAC-Quepia.

A criação da comissão de estudos voltada a luvas e vestimentas de proteção para riscos químicos marcou o início da padronização no país. Desde então, o Brasil ampliou sua participação em fóruns internacionais e consolidou protagonismo no tema.

Os resultados também abriram espaço para cooperação global. O IAC passou a integrar consórcio internacional voltado à qualidade de EPI, ao lado de instituições como o Ministério da Agricultura da França e a Universidade de Maryland Eastern Shore, dos Estados Unidos.

Nos desdobramentos mais recentes, o programa avançou na transferência de tecnologia para países de clima quente e menor renda, especialmente na África, com foco em materiais adequados e redução de custos na produção de vestimentas protetivas.

Fonte: Canaoeste