Quepia avança em qualidade de EPI na Agrishow 2026
06-05-2026

Programa do IAC mostra evolução técnica e redução de reprovação

Andréia Vital

Os avanços do Programa IAC de Qualidade de Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura (Quepia) foram apresentados na Agrishow 2026, com foco na evolução dos padrões de segurança das vestimentas utilizadas na aplicação de agrotóxicos. Coordenado pelo pesquisador científico Hamilton Humberto Ramos, do Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico (IAC), o programa consolidou ao longo dos anos uma base técnica alinhada à indústria e aos órgãos reguladores.

Criado em 2006, o Quepia surgiu em um cenário sem normas técnicas e certificação para vestimentas agrícolas. Na época, o trabalhador utilizava equipamentos sem garantia do nível de proteção durante o manuseio de produtos químicos. A partir dessa lacuna, o programa estruturou parâmetros técnicos e orientou o desenvolvimento de produtos no país. “O Quepia colocou a pesquisa e as normas internacionais da ISO na roupa de trabalho dos aplicadores de agrotóxicos brasileiros”, afirmou Ramos.

O trabalho contribuiu para a adoção de normas de qualidade no Brasil a partir de 2010, tornando o país pioneiro na regulamentação de vestimentas de proteção agrícola. Atualmente, apenas equipamentos testados e certificados chegam ao mercado.

“No Brasil, auxiliamos a indústria a buscar certificações baseadas nas normas da ISO para validar a qualidade dos EPI agrícolas”, destacou Ramos. Segundo ele, o modelo transfere credibilidade ao fabricante por meio de selo concedido após testes laboratoriais.

Os dados indicam avanço consistente. Há cerca de dez anos, 52% dos materiais avaliados eram reprovados. Hoje, o índice está abaixo de 20%, refletindo melhorias em tecidos, modelagem e desempenho.

O programa tem origem em estudos iniciados no começo dos anos 2000, quando o IAC e o Ministério do Trabalho avaliaram a eficácia das vestimentas utilizadas no campo. A partir dessa base, foi criada uma comissão técnica junto à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que sustentou o desenvolvimento das normas nacionais e a participação do Brasil em discussões internacionais, como a ISO 27065.

O laboratório do Quepia, em Jundiaí – SP, tornou-se referência na América Latina e participa do desenvolvimento de normas globais. Parte dos dados utilizados em padrões internacionais foi gerada no Brasil. “Todos os testes conhecidos no mundo podem ser feitos em Jundiaí”, afirmou Ramos.

Além do mercado interno, o conhecimento é transferido para países de menor renda, especialmente na África. O trabalho considera diferenças climáticas e operacionais, com apoio na escolha de materiais, modelagem e validação técnica. “Não adianta levar o produto pronto. É preciso desenvolver soluções adaptadas à realidade de cada país”, disse.

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