Raízen fecha acordo de dívida extrajudicial de R$ 65 bilhões com credores
08-06-2026

Tanques de combustível da Raízen em Rondonópolis — Foto: Divulgação
Tanques de combustível da Raízen em Rondonópolis — Foto: Divulgação

Entre as principais medidas previstas está um aumento de capital de R$ 3,5 bilhões a ser realizado pela Shell, acionista da empresa

Por Valor — São Paulo

A Raízen confirmou, em Fato Relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite passada, que protocolou seu Plano de Recuperação Extrajudicial junto à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, dando mais um passo no processo de reestruturação financeira iniciado neste ano.

Segundo a companhia, o plano já conta com a adesão de 75,45% dos créditos financeiros e quirografários abrangidos pela recuperação, equivalentes a R$ 64,7 bilhões, excluídos os créditos entre empresas do próprio grupo, percentual suficiente para atender às exigências previstas na legislação e alcançado antes do prazo máximo de 90 dias.

A proposta estabelece diferentes alternativas para os credores, incluindo a troca de dívidas por novos instrumentos financeiros e a conversão de parte dos créditos em participação acionária na companhia.

Entre as principais medidas previstas está um aumento de capital de R$ 3,5 bilhões a ser realizado pela Shell, acionista da empresa, além da possibilidade de um aporte adicional de R$ 500 milhões pela Aguassanta Participações, veículo de investimentos da família de Rubens Ometto, controlador da Cosan.

Em contrapartida, os investidores receberão ações ordinárias da companhia. O plano também prevê a conversão de 45% dos créditos reestruturados em participação acionária por meio da emissão de Units compostas por uma ação ordinária e uma ação preferencial, ao preço de R$ 0,50 por Unit.

Os 55% restantes dos créditos serão objeto de substituição, refinanciamento ou renegociação por meio da emissão de novos títulos de dívida.

Adicionalmente, a companhia pretende implementar medidas estruturais como segregação de ativos, avanço no programa de desinvestimentos e reorganizações societárias.

Para determinados credores, o plano oferece ainda opções de liquidação com deságio relevante sobre os valores devidos, além de uma alternativa de pagamento antecipado em dinheiro para créditos de menor valor, limitada a aproximadamente R$ 150 milhões.

Estrutura sustentável

De acordo com a Raízen, a proposta busca solucionar de forma abrangente o elevado endividamento financeiro do grupo, equacionando necessidades de liquidez de curto e médio prazo e estabelecendo uma estrutura de capital sustentável para o longo prazo.

A expectativa da administração é reduzir significativamente a alavancagem financeira, preservar a continuidade operacional dos negócios, melhorar a geração de caixa e criar condições para a retomada da criação de valor aos acionistas.

O plano seguirá agora para análise e homologação judicial. A legislação prevê um período de 30 dias para eventuais objeções dos credores antes da decisão final da Justiça.

A companhia ressaltou que a recuperação extrajudicial possui caráter estritamente financeiro e não afeta as obrigações mantidas com clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros comerciais, que continuarão sendo honradas normalmente.

Fonte: Globo Rural