Raízen protocola recuperação extrajudicial para renegociar R$ 65,1 bilhões
11-03-2026
Companhia busca reestruturar dívida com adesão inicial de 47% dos credores
Andréia Vital
A Raízen informou nesta quarta-feira (11), em fato relevante ao mercado, que protocolou pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo para renegociar aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras quirografárias.
A informação já circulava no mercado desde a noite anterior e foi publicada pela CanaOnline antes da divulgação oficial do documento pela companhia.
Segundo o comunicado, o plano já conta com a adesão expressa de credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras abrangidas pela reestruturação. O percentual é suficiente para o ajuizamento do pedido. Pela legislação, a empresa terá prazo de até 90 dias após o processamento da recuperação para atingir o apoio mínimo necessário à homologação do plano e vincular a totalidade dos créditos às novas condições de pagamento.
O plano foi estruturado em conjunto com os principais credores financeiros da companhia e tem como objetivo criar um ambiente jurídico estável para negociação da reestruturação do passivo.
De acordo com o documento, as alternativas avaliadas incluem capitalização pelos acionistas, conversão de parte das dívidas em participação acionária, substituição de créditos por novas dívidas, reorganizações societárias com possível segregação de negócios e eventual venda de ativos.
A empresa ressaltou que a recuperação extrajudicial possui escopo estritamente financeiro e não envolve obrigações com clientes, fornecedores, revendedores ou outros parceiros comerciais. Esses compromissos permanecem válidos e continuarão sendo cumpridos normalmente.
Segundo fontes próximas às negociações, o endividamento total da empresa supera R$ 70 bilhões e a dívida líquida teria alcançado cerca de R$ 55,3 bilhões no último ano, com alavancagem próxima de 5,3 vezes o Ebitda.
As mesmas fontes indicam que a reestruturação pode envolver um plano de capitalização estimado em aproximadamente R$ 4 bilhões. Nesse cenário, a Shell poderia aportar cerca de R$ 3,5 bilhões, enquanto o empresário Rubens Ometto participaria com cerca de R$ 500 milhões por meio da Aguassanta Investimentos. Também estaria em avaliação a conversão de até 40% da dívida em participação acionária, como forma de reduzir a alavancagem da companhia. Parte dessas medidas já havia sido mencionada em fato relevante divulgado pela empresa na semana passada.Ainda de acordo com essas fontes, as negociações com credores podem incluir alongamento de prazos, eventuais descontos no valor das obrigações e suspensão temporária do pagamento de juros durante o período de negociação. Esses pontos, no entanto, não constam no fato relevante divulgado nesta quarta-feira.
A companhia informou que suas operações seguem normalmente enquanto avança o processo de negociação com os credores.
O comunicado foi assinado pelo CFO e diretor de Relações com Investidores da Raízen, Lorival Nogueira Luz Jr., que afirmou que a empresa manterá acionistas e o mercado informados sobre eventuais desdobramentos do processo.

