RenovaBio avança nas metas, mas preços seguem pressionados
23-01-2026

Excesso de CBios reduz retorno do programa para produtores e usinas

O encerramento do ano-meta de 2025 do RenovaBio trouxe sinais de melhora no cumprimento das metas de descarbonização, mas manteve um ambiente desafiador para a remuneração via CBios. Segundo o Monitoramento RenovaBio, relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA, a aposentadoria de créditos somou 40,06 milhões ao longo do ano, além de um volume residual de títulos retirados de circulação de forma antecipada.

Na avaliação do banco, apesar do avanço, cerca de 9,11 milhões de CBios deixaram de ser aposentados no período, o que indica que parte das distribuidoras ainda não cumpriu integralmente suas obrigações no programa.

As metas individualizadas do RenovaBio alcançaram 49,36 milhões de CBios em 2025, acima do nível do ano anterior. A taxa de cumprimento subiu para 82 por cento, mostrando evolução em relação a 2024. Ainda assim, segundo o Itaú BBA, o efeito prático dessa melhora foi limitado, uma vez que a oferta de títulos seguiu elevada.

Para produtores e usinas, esse contexto reduziu a capacidade de sustentação dos preços, mesmo diante de maior rigor regulatório e de sinais pontuais de regularização por parte das distribuidoras ao longo do ano.

Estoques altos limitam a contribuição do RenovaBio

O volume de CBios emitidos em 2025 atingiu 43,17 milhões, superando o total aposentado e elevando os estoques finais para 19,5 milhões de créditos. Segundo o relatório, esse nível elevado de títulos disponíveis ajuda a explicar a dificuldade de recuperação das cotações.

O banco destaca que a expectativa de expansão da produção de etanol em 2026 tende a manter a geração de CBios em patamar elevado, o que reforça a necessidade de ajustes do lado da demanda para reequilibrar o mercado.

Os preços dos CBios chegaram às mínimas do ano em dezembro e encerraram 2025 abaixo da média histórica. A média anual ficou em R$ 54,7 por título, recuo expressivo em relação a 2024, reduzindo a participação do RenovaBio na composição da receita de produtores e usinas.

Segundo o Monitoramento RenovaBio, uma melhora mais consistente no retorno econômico do programa dependerá de maior efetividade na fiscalização, redução da inadimplência e eventual revisão das metas de redução de emissões, de forma alinhada à evolução do consumo de biocombustíveis.

Fonte: Canaoeste