Safra 2025/26 em São Paulo deve crescer com impulso de milho, soja e café
24-03-2026

Projeções indicam alta na produção de grãos e café, enquanto laranja e cana enfrentam queda na safra 2024/25

O Estado de São Paulo inicia a safra 2025/26 com perspectivas positivas para importantes culturas agrícolas. Dados divulgados pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, apontam crescimento na produção de milho primeira safra, soja e café. As informações fazem parte do levantamento elaborado pelo Instituto de Economia Agrícola em conjunto com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral.

Enquanto o cenário é de expansão para grãos e café, culturas tradicionais como laranja e cana-de-açúcar encerram a safra 2024/25 com desafios relacionados à área plantada e à produtividade.

Milho primeira safra deve crescer 38% em São Paulo

A produção de milho primeira safra no estado deve atingir 2,01 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 38% em relação ao ciclo anterior. O avanço é resultado da combinação entre aumento de área plantada e melhora na produtividade.

A área destinada ao cultivo deve crescer 23,1%, enquanto a produtividade média é estimada em 7.469 kg por hectare, alta de 12,2%. A produção segue concentrada em regiões estratégicas, que respondem por 58,6% do volume total estadual.

Soja avança com produtividade recorde

A soja também apresenta desempenho positivo nas projeções para a safra 2025/26. A produção deve alcançar 4,57 milhões de toneladas, avanço de 11% em relação à safra anterior.

O crescimento é impulsionado por uma produtividade recorde estimada em 3.663 kg por hectare. A região de Itapeva se destaca, concentrando quase 19% da produção estadual. Juntamente com Assis e Ourinhos, essas regiões somam 39,7% da produção prevista no estado.

Café mantém força com alta na produtividade

No setor cafeeiro, o primeiro levantamento da safra 2025/26 projeta produção de 4,7 milhões de sacas de 60 kg. Apesar de uma leve redução de 0,9% na área cultivada, a produtividade deve crescer 5,7%.

A região de Franca segue como principal polo produtor, responsável por mais de 57% da produção estadual, com cerca de 2 milhões de sacas. A regional de São João da Boa Vista aparece na sequência, com 1,1 milhão de sacas, equivalente a 23,6% do total.

Outras regiões como Ourinhos, Marília, Bragança Paulista e Jaú também contribuem para a produção, com destaque para Ourinhos, que pela primeira vez supera Marília no ranking estadual.

Laranja registra queda de área e impacto do greening

O fechamento da safra 2024/25 aponta dificuldades para a citricultura paulista. A produção de laranja foi estimada em 268,7 milhões de caixas, com produtividade de 30.965 kg por hectare, alta de 2,8% em relação ao ciclo anterior.

Apesar do ganho produtivo, a área cultivada recuou 9,5%. O resultado reflete, principalmente, o impacto do greening, doença que afeta pomares em escala global, além das condições climáticas adversas.

Cana-de-açúcar recua, mas mantém estabilidade na produtividade

A produção de cana-de-açúcar destinada à indústria também apresentou retração na safra 2024/25. O volume total foi de 390,9 milhões de toneladas, queda de 4,6% em comparação ao ciclo anterior.

A área plantada diminuiu 4,8%, totalizando 5,5 milhões de hectares. Por outro lado, a produtividade teve leve alta de 0,5%, alcançando 78.057 kg por hectare.

A cultura segue distribuída por praticamente todas as regionais da CATI, com destaque para São José do Rio Preto, Barretos e Ribeirão Preto, que juntas concentram 22,2% da produção estadual.

Levantamento envolve todos os municípios paulistas

Os dados do levantamento foram coletados entre novembro e dezembro de 2025, com participação de técnicos das Casas de Agricultura nos 645 municípios do estado.

O estudo considera os principais produtos agrícolas em termos de valor econômico, com base no Valor da Produção Agropecuária Paulista. O Instituto de Economia Agrícola publica anualmente cinco relatórios com estimativas e previsões das safras no Estado de São Paulo, acompanhando a evolução da área plantada, produção e produtividade das principais culturas.

Fonte: Portal do Agronegócio