Safra 2026/27 em Minas deve ter mais cana e maior produção de etanol
12-03-2026
Recuperação do canavial e preços favorecem mix mais alcooleiro
Andréia Vital
A safra 2026/27 de cana em Minas Gerais deve começar com melhora das condições dos canaviais após as perdas registradas no ciclo anterior, quando adversidades climáticas reduziram a produção em algumas regiões do estado. A avaliação é de Mário Campos Filho, presidente da Siamig Bioenergia e da Bioenergia Brasil, durante a 10ª DATAGRO Abertura de Safra Cana, Açúcar e Etanol, evento realizado nesta quarta-feira (11) e quinta-feira (12) em Ribeirão Preto - SP, que reúne executivos, produtores e especialistas do setor sucroenergético brasileiro.
No ano passado, Minas Gerais perdeu quase 10 milhões de toneladas de cana. Segundo Campos, áreas que registraram queda de produção em 2025 apresentam agora sinais de recuperação, embora os volumes ainda não devam retornar aos níveis observados dois anos atrás.
O início da safra também deve ter maior participação do etanol no mix das usinas. Segundo Campos, a relação atual de preços favorece o direcionamento da cana para o biocombustível. “Temos uma tendência de início de safra mais alcooleiro do que nos últimos anos, em função dos preços relativos”, afirmou.
Com maior oferta de etanol, o setor também acompanha discussões sobre a ampliação da mistura do biocombustível na gasolina. No ano passado, o país passou a adotar o E30. O executivo avalia que o aumento da produção de etanol, tanto a partir da cana-de-açúcar quanto do milho, pode abrir espaço para novos avanços nesse debate. “Com o grande volume de etanol que deve ser produzido, tanto do sistema cana quanto do sistema milho, existe a possibilidade de suportar níveis adicionais de mistura”, disse.
As condições da safra no estado mineiro também foram discutidas no Painel 1 do evento. Moderado por Heitor Cantarella, pesquisador e diretor da Divisão de Solos do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, o painel teve como palestrante Plinio Nastari, presidente da DATAGRO, que detalhou o diagnóstico agronômico da consultoria sobre as condições do canavial mineiro.
Segundo o levantamento, o retorno tardio das chuvas em janeiro de 2025 retardou entre 20 e 30 dias o desenvolvimento das áreas destinadas ao primeiro terço da safra. Apesar disso, os plantios de 18 meses apresentam condições superiores às registradas no ano passado.
A análise também indica que o início da moagem em março pode interferir no potencial produtivo dessa fase da safra, dependendo do comportamento das chuvas e do ritmo de colheita.
Nas áreas destinadas ao segundo e terceiro terço da safra, as condições são consideradas positivas, com perspectivas melhores do que as observadas em 2025. No centro-leste do Triângulo Mineiro, os levantamentos indicam lavouras superiores às registradas no ciclo anterior, com bom desempenho dos plantios de 18 meses. Já na região oeste do Triângulo até o Pontal, os canaviais aparecem ligeiramente inferiores em relação ao mesmo período do ano passado.
Mesmo com o atraso inicial provocado pelas chuvas, a expectativa é de melhor rendimento na safra no Triângulo Mineiro. De forma geral, as áreas que serão colhidas em Minas apresentam condições similares ou ligeiramente superiores às registradas em 2025.
Além das projeções para a safra, Campos também mencionou preocupações do setor com discussões regulatórias, entre elas o debate sobre redução da jornada de trabalho. “O setor é um dos maiores empregadores do Brasil. Temos uma operação agrícola grande e todo o segmento industrial dentro do conceito de agroindústria. Uma redução da jornada teria impacto econômico muito forte”, ressaltou.
De acordo com ele, o mercado de trabalho já apresenta restrições para contratação de novos profissionais, o que dificulta ajustes operacionais nas empresas caso ocorram mudanças na legislação trabalhista.
Confira:

