Safra de cana em AL se aproxima do fim com queda de 3% na produção
12-03-2026

Colheita da sfra de cana 2025/2026 se aproxima dofim em Alagoas. - Foto: Edivaldo Junior
Colheita da sfra de cana 2025/2026 se aproxima dofim em Alagoas. - Foto: Edivaldo Junior

Até o dia 28 de fevereiro, as usinas do Estado haviam processado 16,5 milhões de toneladas de cana

Por Blog de Edivaldo Junior

A safra de cana-de-açúcar 2025/2026 em Alagoas entra na reta final com tendência de repetir — ou ficar muito próxima — do volume registrado no ciclo anterior. Até o dia 28 de fevereiro, as usinas do Estado haviam processado 16,5 milhões de toneladas de cana, segundo levantamento do Departamento Técnico do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Etanol de Alagoas (Sindaçúcar-AL).

Na comparação com o mesmo período da safra passada, quando o acumulado superava 17 milhões de toneladas, a variação negativa é de cerca de 3%. O resultado considera a moagem das 15 unidades industriais em operação no Estado, sendo que pelo menos cinco delas já haviam encerrado a moagem até o fechamento do boletim.

Com poucas usinas operando nos últimos dias de moagem, a expectativa do setor é que o resultado final seja divulgado no próximo boletim quinzenal do Sindaçúcar-AL, com dados até 15 de março – no máximo com os dados até 30 de março.

A tendência é que a safra se encerre com variação pequena em relação ao ciclo anterior, consolidando um volume final próximo ao registrado em 2024/2025.

Apesar da aparente estabilidade na moagem total, o comportamento da safra tem sido bastante diferente para usinas e fornecedores de cana. Enquanto algumas unidades industriais conseguiram manter ou até ampliar a produção própria, a redução de matéria-prima tem sido mais intensa entre os fornecedores independentes.

Queda

O impacto mais forte da safra atual aparece entre os fornecedores independentes de cana, que registraram a maior retração de produção. Até fevereiro da safra passada, os fornecedores haviam entregue 6,97 milhões de toneladas de cana às usinas. Neste ciclo, o volume caiu para 6,31 milhões de toneladas. A diferença representa uma perda de cerca de 662 mil toneladas, equivalente a aproximadamente 9,5%.

Quando se observam outros levantamentos do setor ao longo da safra — que incluem também cooperados e acionistas — a redução da produção entre produtores independentes é ainda maior, refletindo o impacto da estiagem, da queda do ATR e da redução nos investimentos em tratos culturais.

A redução é atribuída principalmente à combinação de fatores climáticos — com estiagem prolongada em parte do ciclo — e às dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores após a queda do preço do ATR e a redução da produtividade agrícola.

Esse movimento ajuda a explicar por que, mesmo com uma forte retração entre fornecedores, a moagem total do Estado tende a ficar próxima à do ano passado. Em várias unidades industriais, a redução da cana de terceiros foi parcialmente compensada pela ampliação da cana própria das usinas.

Mix da produção

Do total de 16,5 milhões de toneladas de cana já processadas na safra 2025/2026, cerca de 13,7 milhões foram destinadas à produção de açúcar, enquanto 2,7 milhões de toneladas tiveram como destino a fabricação de etanol. Outras 685 toneladas foram utilizadas na produção de mel rico.

A produção de etanol apresentou crescimento relevante. Até fevereiro, as usinas fabricaram 429,3 milhões de litros, volume quase 9% superior ao registrado no mesmo período da safra passada.

Desse total, 235,4 milhões de litros correspondem ao etanol hidratado e 193,9 milhões ao etanol anidro, que é misturado à gasolina.

Já a produção de açúcar registrou queda de 15,4% na comparação com fevereiro do ano passado. Até agora, as usinas produziram mais de 1,3 milhão de toneladas, contra mais de 1,5 milhão de toneladas no mesmo período do ciclo anterior.

Safra entra na fase final

Com a moagem já encerrada em parte das unidades e outras operando nos últimos dias, a safra 2025/2026 em Alagoas deve ser concluída nas próximas semanas. O resultado definitivo será consolidado no próximo boletim quinzenal do Sindaçúcar-AL.

Mesmo com estabilidade no volume total processado, os números da safra mostram uma mudança importante no perfil da produção: as usinas conseguem manter ou ampliar sua produção própria, enquanto os fornecedores enfrentam uma queda expressiva na produção e na renda, ampliando as dificuldades do segmento no campo.

Fonte: Jornal de Alagoas