São Paulo acelera a descarbonização e se aproxima de 700 mil metros cúbicos diários de biometano
06-01-2026
Estado amplia capacidade instalada, concentra projetos em operação e estrutura ambiente regulatório para expansão do setor
O Estado de São Paulo avança na produção de biometano e consolida sua posição de liderança no mercado nacional de combustíveis renováveis. Em 2025, a ampliação da capacidade instalada e o avanço de novos projetos colocaram o Estado próximo da marca de 700 mil metros cúbicos diários de produção, reforçando o papel do biometano na estratégia de descarbonização dos transportes e da indústria.
Atualmente, São Paulo conta com oito plantas autorizadas em operação, responsáveis por cerca de 500 mil metros cúbicos por dia. Outras sete unidades estão em fase de autorização e, quando concluídas, devem acrescentar aproximadamente 257 mil metros cúbicos diários à oferta. Com isso, a capacidade instalada tende a superar 700 mil metros cúbicos por dia até o fim de 2026, dentro de um potencial técnico estimado em 6,4 milhões de metros cúbicos diários.
O biometano é produzido a partir do processamento do biogás e se apresenta como alternativa para substituir combustíveis fósseis em segmentos de difícil eletrificação, como o transporte pesado e processos industriais intensivos em energia. Além da redução de emissões de gases de efeito estufa, o combustível permite o aproveitamento energético de resíduos urbanos e agroindustriais.
Alguns municípios paulistas concentram projetos de referência. Presidente Prudente tornou-se o primeiro município do País a ser integralmente abastecido por biometano, enquanto Paulínia abriga a maior planta nacional baseada em resíduos sólidos urbanos. Essas iniciativas se inserem em uma estratégia estadual de valorização de resíduos, que inclui a participação de centenas de municípios em programas voltados à ampliação do aproveitamento energético.
A expansão do biometano contribui para uma matriz energética já majoritariamente renovável. Em São Paulo, cerca de 59% da energia consumida é de origem limpa, percentual superior à média nacional e à de países desenvolvidos. Na matriz elétrica, a participação de fontes renováveis chega a 96%.
Estudos setoriais indicam que São Paulo concentra cerca de 40% da capacidade instalada de biometano do País e 31% dos projetos de expansão em andamento. No longo prazo, o potencial produtivo estadual pode alcançar até 36 milhões de metros cúbicos por dia, volume suficiente para substituir integralmente o consumo industrial de gás natural ou parcela relevante do diesel utilizado no território paulista.
Mais da metade desse potencial está associada ao setor sucroenergético, que utiliza resíduos da produção de açúcar e etanol, como vinhaça, torta de filtro, bagaço e palha, para a geração de biogás e biometano. A estimativa é de que o setor possa produzir até 5,5 milhões de metros cúbicos diários até 2030, reduzindo custos operacionais, emissões e a dependência de combustíveis fósseis.
O avanço do setor é sustentado por ajustes regulatórios e institucionais. A padronização do licenciamento ambiental para unidades de biogás e biometano reduziu prazos e aumentou a previsibilidade para novos projetos. Também avançam discussões para integração do biometano à rede de gás canalizado e iniciativas voltadas à certificação de origem do combustível.
Levantamentos apontam a necessidade de cerca de R$ 120 bilhões em investimentos para substituição de frotas e implantação de novos projetos, além de aproximadamente R$ 3 bilhões para a expansão da malha de gasodutos no Estado. Com esse conjunto de medidas, São Paulo amplia a atratividade do setor, estrutura uma cadeia produtiva de baixo carbono e reforça sua posição como principal polo de biometano do país.
Durante a Semana do Meio Ambiente deste ano, a Semil, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) e a InvestSP — agência de promoção de investimentos vinculada à SDE — lançou a versão para celular da plataforma Conecta Biometano SP. O aplicativo está disponível para download gratuito nas lojas virtuais Google Play e Apple Store.
O serviço foi desenvolvido para facilitar a conexão entre os diferentes agentes da cadeia de biogás e biometano, com o objetivo de viabilizar novos projetos. Trata-se de mais uma iniciativa do Governo de São Paulo voltada ao incentivo à transição energética.

