São Paulo e Suécia fecham parceria para ampliar oferta e infraestrutura de biometano
26-01-2026
Cooperação prevê estudos sobre gasodutos e uso do digestato como fertilizante natural no estado
O Governo de São Paulo firmou na última semana, uma parceria internacional com o Swedfund International AB, instituição financeira de desenvolvimento do governo da Suécia, para viabilizar estudos técnicos voltados à expansão do biometano no estado. A iniciativa envolve análises sobre investimentos em novos gasodutos para escoamento do combustível renovável e sobre o aproveitamento do digestato, subproduto da digestão anaeróbica rico em nutrientes, com foco na estruturação de modelos de negócio para biofertilizantes orgânicos.
O acordo será executado por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística e prevê aporte aproximado de cinco milhões de reais, integralmente financiados pelo governo sueco. Os recursos serão destinados à contratação de consultorias especializadas nas áreas de energia, infraestrutura e biometano, com o objetivo de estruturar projetos que ampliem a oferta do combustível e fortaleçam a cadeia produtiva associada em São Paulo.
Segundo a secretária Natália Resende, a cooperação ganha relevância diante do elevado potencial paulista para a produção de biometano e do papel do combustível na redução das emissões de gases de efeito estufa. De acordo com a pasta, a iniciativa está alinhada ao Plano de Ação Climática dois mil e cinquenta e ao Plano Estadual de Energia dois mil e cinquenta, que estabelecem metas de descarbonização e de transição energética.
No campo regulatório, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo publicou em dezembro passado, norma que permite a interconexão de plantas de biometano à rede de gás canalizado sem impacto para os demais usuários. A regra institui a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição Verde, mecanismo pelo qual os custos de conexão e operação passam a ser remunerados exclusivamente pelos fornecedores do combustível renovável.
A regulamentação está associada às diretrizes da Política Estadual de Mudanças Climáticas e do Plano Estadual de Energia, que apontam o biometano como vetor estratégico para ampliar a participação de fontes renováveis na matriz energética paulista e reduzir emissões, ao mesmo tempo em que preservam a modicidade tarifária do serviço de gás.
Levantamento contratado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, com apoio técnico e institucional da secretaria, estimou potencial de produção de seis vírgula quatro milhões de metros cúbicos por dia de biometano no estado. O estudo indica a possibilidade de geração de até vinte mil empregos diretos, indiretos e induzidos, além do fortalecimento de uma nova cadeia industrial de equipamentos e serviços.
Entre os benefícios mapeados está a substituição parcial de combustíveis fósseis no transporte, com redução de até dezesseis por cento nas emissões de carbono em comparação ao óleo diesel. Mais de oitenta por cento do potencial produtivo paulista está concentrado no setor sucroenergético, a partir do aproveitamento de resíduos como vinhaça, torta de filtro, bagaço e palha.
Atualmente, o biometano já é utilizado em São Paulo como insumo para fertilizantes, fonte energética em processos industriais e combustível para frotas de transporte de cargas e passageiros, indicando espaço para a ampliação do mercado com apoio de políticas públicas e investimentos estruturantes.

