São Paulo inaugura maior planta de biometano do Brasil
10-03-2026

Unidade amplia oferta de gás renovável e fortalece transição energética

Andréia Vital

O Governo de São Paulo inaugurou no sábado (7), em Paulínia, a maior planta de biometano do Brasil, ampliando a infraestrutura de gás renovável no estado e reforçando sua posição na transição energética. A cerimônia contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas e da secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.

São Paulo concentra hoje cerca de 700 mil metros cúbicos por dia de capacidade de produção de biometano, aproximadamente metade do total nacional. Nove das dezenove plantas em operação no país estão no estado.

A nova unidade, operada pela OneBio em um ecoparque ambiental instalado no local de um antigo aterro sanitário, produz biometano a partir da purificação de biogás gerado por resíduos sólidos urbanos. A capacidade nominal é de 225 mil metros cúbicos por dia, volume equivalente ao consumo de mais de mil ônibus urbanos e que representa cerca de um terço da capacidade instalada em território paulista.

A produção inicial corresponde a cerca de metade desse potencial e deverá atingir operação plena ao longo de 2026.

O empreendimento resulta de parceria entre a Edge, controladora do investimento com 51 por cento de participação, e a Orizon Valorização de Resíduos, com 49 por cento. A Edge será responsável pela comercialização do biometano, e a planta já está conectada à rede de distribuição de gás canalizado.

Em novembro, a empresa firmou contrato com a Unilever para fornecimento de biometano a uma fábrica de sabonetes em Valinhos, no interior paulista, com foco na descarbonização de processos industriais e da frota logística.

A unidade recebeu licença de operação da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo em prazo reduzido e obteve autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis para produção e comercialização do combustível.

“Uma das vocações do Brasil é a transição energética. O mundo precisa de parceiro confiável para gerar energia e nós podemos ser esse parceiro confiável. Etanol e biometano podem transformar a nossa oferta energética e oferecer previsibilidade de preços”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas durante a inauguração.

Natália Resende destacou o papel do estado no avanço da matriz renovável. “A maior planta de biometano do Brasil está em São Paulo. A partir dos resíduos geramos biogás, purificamos para biometano e inserimos na rede para abastecer a indústria. É a economia circular em funcionamento”, disse.

Expansão do biometano em São Paulo

O estado possui atualmente nove plantas autorizadas de biometano, com capacidade conjunta próxima de 700 mil metros cúbicos por dia. Outras oito unidades estão em fase de autorização pela Agência Nacional do Petróleo.

A expectativa do governo estadual é superar a marca de 800 mil metros cúbicos por dia até dezembro de 2026. O potencial técnico estimado para São Paulo é de 6,4 milhões de metros cúbicos por dia.

O avanço do setor tem sido apoiado por medidas regulatórias e políticas públicas. Em dezembro de 2025, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo publicou norma que viabiliza a interconexão de plantas de biometano à rede de gás canalizado sem repasse de custos aos demais usuários.

A regulamentação estabelece que os custos de conexão sejam remunerados exclusivamente pelos fornecedores por meio da tarifa de uso do sistema de distribuição verde.

A estratégia integra metas da Política Estadual de Mudanças Climáticas e do Plano Estadual de Energia 2050, que apontam o biometano como alternativa para ampliar a participação de fontes renováveis e reduzir emissões de gases de efeito estufa.

O combustível renovável pode substituir o gás natural em processos industriais, ser utilizado na produção de fertilizantes ou abastecer veículos leves e pesados.

Para estimular o setor, o governo também criou instrumentos como licenciamento ambiental simplificado, incentivos fiscais para veículos movidos a gás natural ou biometano e a plataforma Conecta Biometano SP, que reúne 125 participantes entre produtores, distribuidores e comercializadores.

Municípios como Presidente Prudente estudam abastecimento integral com biometano, e a projeção estadual é superar a produção de 1 milhão de metros cúbicos por dia até 2028.

Potencial econômico e papel do setor sucroenergético

Estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo com apoio técnico da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística aponta que o potencial de produção de biometano no estado alcança 6,4 milhões de metros cúbicos por dia.

Segundo a análise, o desenvolvimento da cadeia pode gerar até 20 mil empregos diretos, indiretos e induzidos e estimular uma nova indústria de equipamentos e serviços ligados ao aproveitamento energético de resíduos.

O levantamento indica ainda que mais de 80 por cento do potencial produtivo paulista está concentrado no setor sucroenergético, que utiliza resíduos da produção de açúcar e etanol como vinhaça, torta de filtro, bagaço e palha para gerar biogás e biometano.

No estado, o combustível renovável já é empregado como insumo na produção de fertilizantes, fonte de energia em processos industriais e alternativa para abastecimento de frotas de transporte de cargas e passageiros.